Militar ainda espera

A prometida promoção a cabo continua por conceder. A GNR ainda não pagou as custas judiciais que lhe são devidas por lei. A indemnização inerente à condição de vítima de crime violento continua por atribuir. Dois anos e meio depois de ter ficado com a cara desfeita e cego de um olho, o soldado João Miguel Ferreira está a trabalhar. Mas as dificuldades financeiras são cada vez maiores.

24 de junho de 2008 às 00:30
Militar ainda espera Foto: Manuel Moreira
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António Ferreira, pai do militar da GNR de Vila Franca de Xira, é porta--voz da angústia do filho. "Ele tem uma filha de dois anos e eu ajudo-o como posso. Mas também estou com dificuldades", assegurou ao CM. Desde a manhã de 16 de Janeiro de 2006, quando Manuel Cardoso, proprietário de uma residência de Sobral de Monte Agraço, o atingiu com um disparo de caçadeira na cara, a vida de João Miguel Ferreira nunca mais foi a mesma.

Além de aguardar a promoção a cabo, que lhe foi prometida pelo comando da GNR, João Ferreira é credor do comando--geral. "Não nos avisaram de que tínhamos apoio jurídico e, por isso, contratámos uma advogada. Paguei 1500 euros e já enviei a factura à GNR", referiu António Ferreira.

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O soldado e a família aguardam ainda uma indemnização do Ministério da Justiça, que tarda em aparecer. "Temos direito, mas falta assinar o processo na Secretaria de Estado da Justiça ", concluiu António Ferreira.

MINISTRO DIZ QUE INDEMNIZAÇÃO ESTÁ EM ANÁLISE

António Ferreira, pai do soldado João Miguel Ferreira, avançou ao CM que a família está convicta de que o militar irá receber uma indemnização do Ministério da Justiça, uma vez que foi vítima de um crime violento. No entanto, fonte governamental sustentou ao nosso jornal, recorrendo à legislação, que a mesma indemnização (no valor máximo de três mil euros) só é atribuída se do crime tiver resultado a morte ou incapacidade permanente ou temporária e absoluta para trabalhar de pelo menos um mês. O pedido de compensação, uma vez apresentado ao Ministério da Justiça, é analisado pela Comissão de Protecção das Vítimas de Crimes Violentos, presidida por um juiz desembargador. O caso de João Ferreira está, segundo a mesma fonte governamental, a ser analisado pela comissão.

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APOIO JURÍDICO É INERENTE

O tenente-coronel Costa Lima, porta-voz da GNR, disse ao CM que o apoio jurídico "é inerente à condição de militar da Guarda". Por isso, sustenta, "é falso que a GNR recuse apoios desta ordem". O que aconteceu, acrescentou o tenente-coronel, "foi que o militar nunca solicitou um advogado da GNR, para o defender no julgamento do autor do disparo". A GNR reconhece ainda a recepção da factura de 1500 euros que o pai de João Ferreira assegura ter enviado para o Comando-Geral, mas não garante que já a tenha pagado.

PORMENORES

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JARRA DE CRISTAL

A GNR condecorou o soldado João Ferreira com uma jarra de cristal. Foi o prémio por quase ter perdido a vida em serviço.

FICOU SEM OLHO

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Após ano e meio de tratamentos, João Ferreira conseguiu retomar o trabalho na GNR. No entanto, o militar perdeu um olho e tem falhas ocasionais de memória e de conhecimento.

DEZASSEIS ANOS E MEIO

A 12 de Dezembro de 2006, Manuel Cardoso, autor do disparo que cegou o soldado João Ferreira, foi condenado pelo tribunal de Torres Vedras a 16 anos e meio de cadeia.

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