Ministério confirma suspensão de funções de polícias suspeitos de explorar imigrantes no Alentejo
Em novembro de 2025, 17 pessoas, incluindo 10 militares da GNR e um agente da PSP foram detidos.
O Ministério da Administração Interna (MAI) confirmou, esta terça-feira, que suspendeu de funções 10 militares da GNR e um agente da PSP envolvidos na operação "Safra Justa", que levou ao desmantelamento de uma rede de tráfico de imigrantes no Alentejo.
Fonte do MAI adiantou que os militares, envolvidos na operação realizada a 25 de novembro de 2025 e que levou à detenção de um total 17 pessoas, entre elas seis civis, já foram notificados da decisão.
A suspensão de funções dos agentes da autoridade foi, esta terça-feira, avançada pelo Expresso e pela SIC.
A 25 de novembro de 2025, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de 17 pessoas, incluindo os 10 militares da GNR e um agente da PSP, por suspeitas de exploração de imigrantes no Alentejo, no âmbito da operação "Safra Justa".
Quatro dias mais tarde, o Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, aplicou prisão preventiva a três arguidos, todos civis, e justificou a saída em liberdade dos 11 elementos das forças de segurança com o facto de não poderem "ser utilizadas para efeitos de fundamentação das medidas de coação" escutas telefónicas não transcritas pelo Ministério Público (MP).
Em 02 de dezembro, a então ministra da Administração Interna determinou a abertura de processos disciplinares, a cargo da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), aos dez militares da GNR e ao agente da PSP constituídos arguidos.
A 09 de dezembro, O Procurador-Geral da República (PGR) anunciou que o MP iria recorrer da libertação dos 10 militares da GNR e do elemento da PSP.
Fonte da GNR disse então à Lusa que os 10 militares voltaram nesse dia ao serviço, tendo sido escalados para os postos onde se encontravam colocados e que aguardava pela aplicação de medidas no âmbito dos processos disciplinares.
O agente da PSP está de baixa desde setembro de 2024.
Segundo a PJ, a organização criminosa desmantelada controlava desde 2023 cerca de 500 trabalhadores estrangeiros no Alentejo, mas nem todos são considerados vítimas de tráfico.
Quanto aos seis civis, com idades entre os 26 e os 60 anos, a fonte policial precisou que quatro são portugueses e dois estrangeiros, "todos membros da organização criminosa".
Os dois estrangeiros, do sul da Ásia, "angariavam as vítimas dessa mesma origem e acabavam também por coagi-las e ameaçá-las".
Entre os portugueses, encontra-se, segundo a fonte, "o cabecilha" da rede, sendo os restantes considerados como "seus braços direitos".
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