Ministério Público insiste na origem dos 75 mil euros de Vítor Escária

Após a apreensão do dinheiro, procuradores foram à procura de impressões digitais, mas provas estavam comprometidas.

29 de abril de 2026 às 16:05
As imagens das notas com impressões digitais de quatro agentes da PSP apreendidas no gabinete de Vítor Escária
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O Ministério Público não desistiu de procurar a origem dos 75 mil euros em numerário, encontrados, em novembro de 2023, no Gabinete de Vítor Escária, antigo chefe de Gabinete de António Costa, no Palácio de São Bento, durante as buscas da 'Operação Influencer'. Os procuradores tentaram apurar a origem do dinheiro, fosse através de impressões digitais nas mesmas ou pedindo a colaboração do Banco de Portugal.

No primeiro caso, a diligência de identificação de pessoas que possam ter manuseado as notas ficou comprometida, uma vez que, durante as buscas, os agentes da PSP acabariam por "colar" as suas impressões digitais às notas e aos envelopes que as acondicionavam.

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Ao mesmo tempo, os procuradores da 'Operação Influencer' pediram a colaboração do Banco de Portugal para, através dos números de série das mesmas, "identificar o banco central responsável pela sua emissão" e questioná-lo sobre a possibilidade de rastreamento das mesmas. Em resposta, o Banco de Portugal informou que iria entrar em contacto com os seus congéneres europeus, porém, advertiu que o tal rastreamento seria muito difícil, "por não haver registo de circulação de notas".

Na busca à residência oficial do primeiro-ministro, os agentes da PSP encontraram o dinheiro escondido em vários envelopes: um com 7620 euros; outro com 20 mil euros; um terceiro com 8260 euros; um quarto com 40 mil euros.

A 'Operação Influencer' foi desencadeada em novembro de 2023. Esta operação levou à detenção de cinco arguidos – o então chefe de gabinete do primeiro-ministro, Vítor Escária; o presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas; dois administradores da Start Campus, Afonso Salema e Rui Oliveira Neves; e o advogado Diogo Lacerda Machado, amigo de António Costa – e culminou com a demissão de António Costa, a posterior queda do Governo e a marcação de eleições antecipadas. Todos os arguidos encontram-se em liberdade.

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