Moradores contra linhas de alta tensão
"Queremos os cabos de alta tensão enterrados, o fim da sementeira de postes, o respeito pela paisagem, pela nossa saúde e até pelo que estava estipulado no Plano Director Municipal de Portimão (PDM)." As exigências são dos moradores e proprietários das zonas de Alcalar, Monte Judeu e Serra e Mar, em Portimão, que levaram, anteontem à noite, um abaixo-assinado de protesto subscrito por 80 pessoas à Assembleia Municipal. O documento vai, igualmente, ser enviado à Direcção Regional de Economia do Algarve, EDP e PEB (Parque Eólico do Barlavento).
"Isto é um escândalo e um perigo para a saúde. As linhas passam a cerca de sete metros da nossa casa", referiram ao CM Margarida Nunes e António Lopes, cuja habitação se situa em Monte Carneirinho. Já Erik Jensen, da zona de Serra e Mar, sublinhou que a sua casa sofreu uma "desvalorização de cerca de 500 mil euros", depois da instalação das linhas. E não a consegue vender devido à proximidade da alta tensão.
Em causa estão duas linhas de alta tensão da EDP e do PEB. Os queixosos sublinham que as mesmas não respeitam o corredor que foi pré-definido em PDM. E estranham que a autarquia tenha alterado "de desfavorável para favorável" a posição sobre a sua implantação. A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional entende, aliás, que tal deveria ter sido devidamente fundamentado.
Luís Carito, vice-presidente da Câmara, presente na reunião, garantiu que vai analisar o assunto.
"UMA LINHA JÁ DEVIA TER SIDO ENTERRADA"
A linha aérea do Parque Eólico do Barlavento, instalada em 2009 (contígua à da EDP, de 2000), deveria ter sido enterrada no prazo de um ano, como consta de um acordo estabelecido entre alguns proprietários afectados e a empresa. "Há ainda um protocolo entre o PEB, a autarquia e a Direcção Regional de Energia em que isso é reafirmado. Mas nada foi feito", sublinham os proprietários. A EDP é acusada de "não ter desenvolvido esforços para afastar a linha das casas", apesar de "haver soluções tecnicamente mais viáveis". O PEB diz que se deparou com "um total desinteresse" da autarquia para marcar uma reunião para tratar do assunto. Já a EDP defende que a situação está "regulamentar".
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