Mulher faz apelo no Facebook para que não lhe comprem a casa
Vive há 19 anos numa casa que o pai pagou mas que continua em nome da imobiliária.
Ana Paula Guedes vive num apartamento em Guimarães e está a apelar no Facebook para que não comprem a casa que está à venda em leilão. "Por favor, não comprem a minha casa", escreveu.
Tudo começou há 20 anos, quando o pai de Ana adquiriu a casa a uma empresa imobiliária, que mais tarde declarou insolvência. O problema foi que, na realidade, a casa não ficou em nome do pai nem em nome da filha, porque não existiu escritura. Ana Paula queixa-se que foi enganada pela imobiliária e está a lutar pelo apartamento que está à venda num site de leilões com licitação marcada entre os dias 25 de outubro e 10 de novembro.
Trata-se tudo de uma confusão jurídica, e por isso, Ana Paula sujeita-se a ficar sem teto. A casa está à venda no site leilosoc.com e qualquer pessoa pode licitá-la, desde que esteja disposto a pagar 71.900 euros, ou mais. A mulher queixa-se no Facebook, numa publicação que tornou acessível para todos os utilizadores da rede social, na esperança que ninguém lhe compre a casa. O apelo foi partilhado por centenas de pessoas e os comentários mostram muita solidariedade para com a proprietária do T2, na Rua Dom Cristóvão de São Boaventura n.º 254 R/C Esq. Ed. Panorama III, em Guimarães.
Foi em 1997 que o pai de Ana comprou a casa, ainda em construção, à imobiliária EPP - sociedade de investimentos imobiliários, Lda. A mulher tem em sua posse o contrato de compra e venda, uma declaração da imobiliária a comprovar que o dinheiro foi transferido e a escritura que ficou agendada para uma data a combinar. Escritura esta que nunca aconteceu.
Em outubro de 1998, Ana foi morar para a habitação e mobilou a cozinha, lavandaria, casas de banho e móveis embutidos para arrumações. Passados cinco meses tinha um letreiro à porta a dizer que a casa estava à venda, e percebeu que tinha sido enganada pela imobiliária.
No post do Facebook, a mulher afirma que lutou durante vários anos em tribunal e ganhou sempre, mas o problema persistia: a imobiliária nunca pagou aos credores e a situação arrastou-se durante anos. Ana continua sem ser a proprietária da casa que o pai comprou, antes de morrer.
A luta continua, mas até à data, sem sucesso. A mulher soube da licitação no dia 6 de maio, quando encontrou o apartamento à venda num site de leilão. Até agora já recorreu a vários advogados e entidades para que a venda a outra pessoa não se concretize.
"O meu apelo: POR FAVOR NÃO COMPRE A MINHA CASA! Estou a tentar pedir toda a ajuda possível e já estou informada de que terei de pagá-la pela segunda vez. Moro lá há 19 anos. Deixem-me, por favor, ser eu a ficar com a casa que o meu pai me deixou, antes de falecer", escreveu desesperada na página de Facebook.
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