Músico mata namorada por estrangulamento

Um homem de 30 anos, sem antecedentes criminais, estrangulou até à morte a namorada, Ana, de 27 anos, num apartamento da Quinta Nova, em Alvor, Portimão, ao princípio da tarde de sábado. S.C. entregou-se às autoridades e, por decisão do juiz, vai aguardar julgamento em prisão preventiva.

26 de dezembro de 2006 às 00:00
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Ao fim da manhã de ontem, no Tribunal de Lagos, onde foi ouvido durante cerca de duas horas, para determinação da medida de coacção, o jovem músico, que costumava actuar em vários estabelecimentos da região tocando guitarra, colocou por diversas vezes a cabeça entre as mãos, murmurando expressões como: “O que é que eu fui fazer? O que é que aconteceu comigo?”

Os desentendimentos entre os dois namorados eram relativamente frequentes, mas S.C. “nunca foi dado a actos violência”, segundo familiares, que traçam dele o perfil de “uma pessoa tranquila, sem nenhum antecedente ou problema que fizesse prever este tipo de situação”.

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Todos afirmam que S.C. gostava muito da namorada e terá sido um desentendimento entre os dois a originar o crime.

Ao início da manhã os dois terão estado na casa dela e ao princípio da tarde, já na residência dele (viviam em casas separadas), gerou-se uma discussão que terminou em tragédia: o músico agarrou o pescoço de Ana, estrangulando-a.

Foi o próprio autor confesso do crime a pedir socorro e, quando a ambulância do INEM chegou ao local, Ana estava em estado crítico, chegando ao Hospital do Barlavento, cerca de meia hora depois, já sem vida.

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Na véspera de Natal, o acto praticado por S.C., natural de Portimão e residente no concelho, deixou a família “em estado de choque”, segundo um tio que ontem acompanhou o jovem a tribunal pois os pais e a sua única irmã (são gémeos) não se sentiam em condições psicológicas de ali se deslocar.

Ana trabalhava no ramo da imobiliária e o namoro com S.C. teria cerca de dois anos. O músico não escondia a sua paixão pela jovem mas amigos confidenciaram-nos que “por vezes andavam zangados, algo normal entre namorados”.

Entre os amigos a notícia foi acolhida com estranheza. “Nunca me pareceu pessoa capaz de praticar tal acto. É uma pessoa calma, que gosta muito do que faz”, referiu um colega de profissão.

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A autópsia ao corpo de Ana, natural da freguesia de Santiago Maior, Beja, deverá realizar-se amanhã no Hospital do Barlavento (o corpo encontra-se aí nas instalações do Instituto de Medicina Legal), tudo apontando para que o exame confirme a morte por estrangulamento, acto que o namorado confirma ter praticado.

PSP REGISTOU 41 VÍTIMAS

Nos últimos cinco anos, entre 2000 e 2005 a PSP registou 41 casos em que homens e mulheres morreram assassinados nas mãos de companheiros ou cônjuges. Só no ano passado, a PSP recebeu 9816 denuncias de violência doméstica. Números que, de acordo com a Polícia, têm vindo a aumentar porque cada vez mais há consciência por parte das vítimas.

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Ainda em 2005, a PSP deteve 249 suspeitos de violência doméstica. 65% dos casos registados ocorreram entre marido e mulher (ou entre companheiros). Em 8% das situações são ex-cônjuges ou ex-companheiros.

DA PSP PARA A GNR

Algum tempo depois de ter cometido o crime, S.C. apresentou-se na esquadra da PSP de Portimão, confessando o acto que tinha praticado. Como o músico mora em Alvor, zona de intervenção da GNR, foi aconselhado a deslocar-se ao quartel da Guarda, ficando aí detido até ser presente a Tribunal.

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ATENUANTES

O pronto arrependimento do músico, entregando-se às autoridades pouco depois de ter cometido o crime, a confissão imediata do acto praticado e a circunstância de não ter antecedentes criminais são factores que podem funcionar como atenuantes no julgamento.

TENTOU SUICÍDIO

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Ainda em Fevereiro último um canalizador de 38 anos estrangulou a mulher até à morte, meteu-a dentro de um roupeiro e depois tentou suicidar-se, na Marinha Grande.

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