Mutilação genital e queimaduras de água quente: mulher vai ser julgada por violência doméstica contra o marido
Três filhos do casal assistiram aos vários episódios de maus-tratos sofridos pelo pai.
Uma mulher, de 44 anos, vai ser julgada no Tribunal de Braga por violência doméstica contra o ex-marido. O homem foi várias vezes agredido com cabos de vassoura ou rolos de cozinha em madeira pela antiga companheira, que chegou a despejar uma panela de água quente sobre as costas da vítima. O pior episódio de violência foi quando a agressora mutilou os genitais da vítima.
De acordo com a acusação do Ministério Público (MP), citada pelo Jornal de Notícias, Lazzat T., natural do Cazaquistão, agredia física, verbal e psicologicamente o ex-marido com quem viveu durante 11 anos, até 2024, ano em que o casal de divorciou. Os três filhos do casal assistiram muitas vezes aos maus-tratos sofridos pelo pai.
A mulher, em vários episódios, atingiu o ex-companheiro na cabeça, braços, pernas e genitais e ainda dirigia vários insultos como "bêbado" ou "filho da p***".
O MP destacou na acusação os episódios mais graves. No final de 2023, a arguida despejou uma panela de água quente sobre o corpo da vítima, quando esta estava sentada no sofá de casa, provocando queimaduras nas costas.
Em janeiro de 2024, depois de atingir o marido com o rolo da massa, a mulher empunhou uma faca de cozinha e ameaçou atingir o companheiro na zona genital. Poucos dias depois, concretizou a ameaça, cortando um dos testículos do marido, na presença dos filhos de 10, 9 e 3 anos. A agressora desferiu ainda golpes nos braços e costas e a vítima teve de ser assistida no hospital.
O homem exige agora seis mil euros de indemnização por danos morais. Segundo a acusação, o ofendido foi forçado a viver num "estado de servidão emocional e de terror psicológico, tornando-se uma vítima indefesa de uma violência gratuita e sistemática", cita o Jornal de Notícias.
A mulher aguarda o desenrolar do processo em liberdade, sujeita à medida de coação de termo de identidade e residência.
Há cada vez mais homens vítimas de violência doméstica a pedir ajuda à APAV
No ano passado, 774 homens agredidos pelos atuais ou antigos namorados, companheiros ou cônjuges foram apoiados pelos técnicos da Associação de Apoio à Vítima (APAV). Nos últimos cinco anos, o número de casos contabilizados teve um aumento de 137%, avança o Jornal de Notícias, esta quarta-feira.
Ao todo, foram apoiados 1258 homens vítimas de violência doméstica - alguns agredidos pelos pais ou filhos, mas mais de metade foi atacada pelos parceiros de casamento ou namoro.
O facto de haver mais pedidos de ajuda, não significa que haja mais violência, mas sim um maior conhecimento e sensibilização dos serviços e respostas a este tipo de situações, bem como uma maior formação e sensibilização das autoridades.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt