"Não havia ambulâncias disponíveis na Margem Sul para dar resposta": presidente do INEM sobre homem que morreu no Seixal
Luís Mendes Cabral frisou que o novo sistema de triagem "não teve influência" para este desfecho.
O presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, clarificou esta terça-feira que "não havia ambulâncias disponíveis na Margem Sul para dar resposta" ao pedido do homem de 78 anos que caiu e esteve três horas à espera de socorro. A vítima acabou por morrer no Seixal sem receber assistência médica.
Em conferência de imprensa, Luís Mendes Cabral frisou que o novo sistema de triagem "não teve influência" para este desfecho e garantiu que o INEM "fez o seu trabalho".
"Estamos com um problema de constrangimento de ambulâncias. Habitualmente fazemos cerca de 4 mil e 500 atendimentos diários, agora são mais mil chamadas em relação àquilo que é o habitual", justificou o dirigente, lembrando que os serviços de emergência "estão a funcionar no limite" das suas capacidades.
O responsável defendeu a necessidade de uma "articulação" entre todas as entidades, mas frisou que o "sistema não falhou" pese embora a morte do idoso. Mendes Cabral fez questão de afirmar que "o INEM não falhou no planeamento", que a triagem deocrreu dentro da normalidade e que apenas a falta de meios resultou na morte em causa.
A Lusa teve acesso à fita do tempo deste caso, que mostra que o homem, de 78 anos, ligou pela primeira vez a pedir socorro ao INEM pelas 11h20 de terça-feira, tendo esta situação sido classificada como prioridade 3 - que prevê o acionamento de meios em 60 minutos -, mas apenas foi enviada a viatura médica pelas 14h09, quase três horas depois.
A fita do tempo regista, pelas 11h23, que a vítima tinha dado uma queda, mostrando-se agitado, confuso, sonolento e prostrado.
Apesar de ter sido considerado uma situação de prioridade 3, mais de uma hora depois, pelas 12h48, a fita indica que a Cruz Vermelha do Seixal não tinha ambulância, que as ambulâncias de Almada e Seixal estavam ocupadas e, pelas 13h29, houve uma segunda chamada para o INEM a questionar a demora de meios.
Pelas 14h05 houve uma nova chamada e foi registado que a vítima estava em paragem cardiorrespiratória e pelas 14h09 foi enviada a viatura médica de Almada, que entretanto ficou livre.
Em atualização
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