“O Paco tinha balas à cabeceira da cama”
Balas na mesa de cabeceira foram ao longo de 12 anos uma constante para Maria Roseta, mulher de Paco Bandeira, que adormecia a ver as munições que o cantor insistia em espalhar pelo quarto da sua herdade em Montemor-o-Novo. Uma realidade confirmada ontem no Tribunal de Oeiras por Ana Paula Fernandes, secretária do ex-presidente da Assembleia da República, Almeida Santos, amiga da ex-mulher do músico – julgado por violência doméstica e posse de arma proibida.
"Quando a Roseta me mostrou a herdade levou-me a todas as divisões da casa, mal entrei no quarto vi que o Paco tinha balas à cabeceira e achei tão estranho que até lhe perguntei a razão. Ela respondeu-me que já estava habituada e que ele gostava de ter aquelas coisas ali. Ela contava-me as coisas todas e dizia que só não o largava porque temia ficar sem a filha, que adora. Às vezes, nos almoços, por exemplo, ela queria falar e ele dizia logo: ‘Cala-te, que tu não sabes o que dizes’".
Na sessão de ontem, também a ex-mulher de Armando Vara, amiga de Maria Roseta, recordou um telefonema que esta recebeu de Paco Bandeira, em 2001, com este a gritar que a queria matar. "Ela ligou-me quando eu estava a regressar a Lisboa e estava transtornada. Como o meu ex-marido tinha uma quinta ao lado da do Paco ela pensou que eu a podia ir ajudar. Naquele dia ela disse-me que ele lhe tinha encostado uma arma à cabeça. Não parava de dizer que estava a ser ameaçada de morte", contou Maria Helena Mendes, também já divorciada do ex-ministro Armando Vara.
Paco Bandeira, que não contou ontem com a companhia das filhas, voltou a insultar os jornalistas à saída do tribunal.
"SÓ ESPERO QUE ELE NÃO LHE FAÇA O MESMO QUE FEZ À MINHA MÃE"
Ana Paula Fernandes disse ontem em tribunal que a violência que Paco Bandeira exercia sobre Maria Roseta era tema de conversa entre as amigas. "Uma amiga nossa que trabalhava com a Conceição [filha do Paco Bandeira] já sabia o que a Roseta sofria e até relatou o que esta desabafara: ‘só espero que não lhe faça o mesmo que fez à minha mãe" – a primeira mulher do cantor, que morreu com um tiro na cabeça. Vingou a tese de suicídio. Ontem, quando a amiga de Roseta recordou a declaração da filha, Paco revoltou--se na sala de audiências. No final da sessão, como em todas as outras, o cantor optou por insultar os jornalistas. A próxima audiência vai realizar-se a 11 de Abril e vão ser ouvidas as últimas oito testemunhas.
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