Oito em cada 10 portugueses não confiam na Justiça
Irregularidades nos sorteios da Relação de Lisboa aumentaram a desconfiança de 46,3%. Para 32,4% nada mudou: a confiança já era baixa.
As suspeitas de irregularidades na distribuição de processos no Tribunal da Relação de Lisboa - levantadas após ser revelada uma troca de mensagens entre o ex-presidente da Relação, Vaz das Neves e Rui Rangel, que indiciam a viciação de um caso que opunha o último ao CM - fizeram mossa na confiança que os portugueses têm na Justiça. Quase oito em cada dez inquiridos numa sondagem CM/Intercampus assumem que pouco confiam no sistema judicial do País.
Para 46,3% dos inquiridos o caso levou a uma quebra na confiança. Já 32,4% dos entrevistados assumem que o grau de credibilidade que atribuem à Justiça se manteve como estava, porque este já era por si só baixo. Ou seja, temos atualmente quase 80% dos portugueses com uma reduzida confiança nesta área. Ainda assim, a maioria (56%) fez questão de acompanhar a discussão pública sobre o tema, mostrando-se "relativamente informados".
A polémica estalou a 20 de fevereiro, com a relevação de várias mensagens escritas trocadas entre Rui Rangel e Vaz das Neves, que foram descobertas após perícias da Polícia Judiciária. Rangel assumia-se "muito preocupado" e pedia ao então presidente da Relação de Lisboa para controlar "a situação", neste caso a distribuição de um recurso do próprio num caso contra o CM. Na primeira instância, os jornalistas do CM tinham sido absolvidos e na Relação foi dada razão ao recurso de Rui Rangel. O caso passou para o Supremo Tribunal de Justiça, onde o CM voltou a ganhar.
Rui Rangel, arguido na Operação Lex, foi oficialmente expulso da magistratura a 6 de dezembro do ano passado. Já Vaz das Neves, que esteve à frente da Relação de Lisboa durante 11 anos e está jubilado, foi recentemente constituído arguido no mesmo caso, por suspeitas de corrupção e abuso de poder.
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