'Okupa' que atacou com bomba incendiária no Parlamento acusado de terrorismo
Nelson Vassalo atirou cocktail molotov contra manifestantes da Marcha pela Vida.
Nelson Vassalo, o militante do PS (que anunciou estar a promover a sua expulsão) que se afastou do partido e radicalizou no Movimento Okupa, foi acusado pelo Ministério Público (MP) de vários crimes de infrações terroristas e de homicídio qualificado tentado, pelo episódio em que atirou um engenho explosivo (cocktail molotov) contra manifestantes da Marcha pela Vida, em frente ao Parlamento, a 21 de março deste ano.
A acusação descreve que, "pelo menos entre 2021 e abril de 2026", Nelson Vassalo, de 40 anos, "passou por um processo contínuo de radicalização ideológica e operacional, assumindo-se como ativista do Movimento Okupa, levando-o a defender a abolição prática do direito à propriedade privada em prol do direito à habitação e à ocupação ilegal de edifícios devolutos, o vandalismo e o terrorismo urbano e, ainda, a sabotagem a plataformas imobiliárias".
Com uma "forte obsessão com a divisão de classes, adotando a retórica de inspiração marxista da exploração e traição da classe trabalhadora", conforme descreve o MP, o homem ataca "fortemente o que considera ser uma burguesia podre que apelida de filhos das elites dos sistemas, de betos, os mais favorecidos à nascença, que associa à direita conservadora e religiosa, aos capitalistas, proprietários, senhorios e fascistas, adotando contra os mesmos, perante terceiros, um discurso de ódio e incentivo ao ódio e violência, por os identificar como uma ameaça ao modelo de sociedade que idealiza".
Foi esta forte ideologia que o motivou, no dia 21 de março, a arremessar um cocktail molotov, "por si elaborado", contra os manifestantes que, "de forma pacífica e ordeira", integravam a manifestação Marcha pela Vida. Enquadra estes manifestantes "no grupo, do espectro político do que considerava ser a direita conservadora, o capitalismo, a extrema-direita ou fascismo".
O homem está em prisão preventiva desde que foi detido pela Unidade Nacional Contraterrorismo da Polícia Judiciária, a 13 de abril, e o MP pede ao juiz de instrução que o arguido se mantenha preso.
O ex-professor foi acusado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) de "oito crimes de infrações terroristas, na forma tentada, com dolo eventual, um crime de infração terrorista, na forma tentada, com dolo direto, e um crime de infração terrorista, com dolo direto, em concurso aparente com oito crimes de homicídio qualificado, na forma tentada, com dolo eventual, um crime de incêndios, na forma tentada, com dolo direto, e um crime de detenção de arma proibida".
Recorde-se que foi inicialmente detido pela PSP, logo após o ataque, e indiciado apenas de posse de arma proibida, pelo que foi libertado. A investigação foi depois entregue à PJ.
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