Os macacos eram como meus filhos
Manuel Ganhão, taxista de pedrógão, Vidigueira, criava na sua residência, há um ano, um casal de macacos. Para desgosto deste homem de 47 anos, que já considerava os primatas com membros da sua família, foi obrigado a entregar os animais à GNR devido a uma queixa.
Correio da Manhã – Era bastante afeiçoado aos seus macacos. Desde o dia em que foram apreendidos, o que mudou?
Manuel Ganhão – Gosto muito de animais e os macacos eram a melhor coisa que tinha. Foi como me tivessem levado dois filhos. Na minha casa está um grande desgosto tal como o luto. Nunca mais vão ter outro dono igual, pois tinha criado todas as condições para eles e dava-lhes todos os mimos.
Além de serem seus amigos, os macacos eram também a atracção da povoação?
– Eram da família e passávamos horas a brincar. Por vezes, coçavam-me as costas e pulavam-me para cima. Em muitos dias o meu quintal era local de romaria para as crianças.
Os macacos tinham nome?
– O macho chama-se Badio. A fêmea ao princípio era Rosa, mas depois ficou sem nome.
No início da semana foi confrontado com uma denúncia na GNR que resultou na apreensão do casal. Sabe quem é que apresentou a queixa?
– Tenho algumas desconfianças mas não posso revelar nomes. Mas faz-me alguma confusão, porque os macacos eram meiguinhos, não faziam mal nem barulho. Sou a única pessoa que pode apontar alguma coisa, pois fui mordido na mão pela fêmea três dias depois de tê-los em casa.
Mas sabia que existe uma lei que proíbe o acolhimento de animais selvagens por particulares?
– Desconheço essa lei. Quando a GNR foi ter comigo no início da semana, os militares explicaram que não podia tê-los em casa. Nesse instante, entreguei o casal voluntariamente.
Quando adquiriu os bichos?
– Não os comprei, foram oferecidos. Há pouco mais de um ano fui com a minha mãe a uma consulta a Lisboa e, quando dava uns passeios pela zona da Praça de Espanha, encontrei um velhote que estava a vender plásticos. Na carrinha tinha uma caixa com dois macacos e disse-me que já os tinha há sete anos e que estava disposto a dar o casal. Não pensei duas vezes.
Já tem saudades dos animais?
– Claro que sim. Gostava de tê-los de volta, mas deve ser muito difícil.
Sabe que os primatas foram entregues ao Parque Zoológico Monte Selvagem, em Montemor-o-Novo, e que pode visitá-los quando quiser?
– Sei que não há problemas. Aliás, nos próximos dias vou visitá-los e tenho a certeza que me vão conhecer.
"TÊM SAÚDE E ESTÃO BEM TRATADOS"
Os dois macacos ‘tarrafe’, de origem africana, foram entregues ao Parque Monte Selvagem, em Montemor-o-Novo, por ordem do Instituto de Conservação da Natureza. Precisam de alguma atenção e encontram-se mesmo de quarentena, mas apenas por precaução.
“Neste momento, estão de quarentena porque precisam de fazer análises”, referiu ao Correio da Manhã a directora do parque, Ana Paula Santos. “O macho precisa também de um curativo a um ferimento no rabo. Mas têm saúde e até estão muito bem tratados e em boa condição física”,
Esta responsável reconheceu ainda que os dois primatas estão “muito humanizados” e disse estar segura que quando receberem a visita do antigo dono vão reconhecê-lo sem quaisquer dificuldades.
“Poderá visitá-los quando quiser e de certeza que será reconhecido pelo casal”, acrescentou Ana Paula Santos. “Agora estão a sentir algumas dificuldades de adaptação, pois saíram recentemente do seu meio, mas estamos a criar um novo espaço para eles e sei que vão adaptar-se.”
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