Ossadas à mostra durante funeral
Família está indignada e já contactou um advogado para processar a Junta de Cacia. Autarca lamenta e lembra que o coveiro estava com muito trabalho
O caixão de um homem de Cacia, Aveiro, foi coberto com ossadas que pertencerão ao próprio pai, falecido há 25 anos. Os familiares pediram ao coveiro para que não atirasse a terra com as ossadas para cima do caixão mas o homem ignorou-os. A família de Manuel Silva está indignada e agora vai recorrer ao tribunal, alegando danos morais. O presidente da junta afirma que os ossos e a caveira que estavam misturados na terra que cobriu a urna eram de outra pessoa.
"Eu estava de costas e, quando a minha sobrinha começou a gritar, eu nem queria acreditar no que via", contou ao CM Maria Emília Silva, irmã do homem que foi a enterrar no passado dia 27 de dezembro. "Misturadas com a terra estavam as ossadas do meu pai. Ficámos em choque e revoltados com o que vimos", acrescentou a mulher de 73 anos. "Nem quando pedimos ao coveiro para retirar os ossos da terra e dar-lhes alguma dignidade ele parou", disse ainda Maria Emília, que, antes do funeral, tinha perguntado pelas ossadas do pai e teve como resposta que já tinham sido retiradas do jazigo.
"O homem conseguiu transformar o funeral num caos. Foi um verdadeiro filme de terror, uma coisa jamais vista", frisou Maria Emília.
O presidente da Junta de Freguesia de Cacia, Casimiro Calafate, lamentou o caso, afirmando que as ossadas deveriam ter sido colocadas num saco para serem depositadas num local próprio, mas sublinhou que, no mesmo dia, ocorreram três funerais, o que dificultou o trabalho do coveiro.
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