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Padre suspeito de pedofilia escondido à Justiça. Igreja afasta-o mas não comunica à PJ
Por Tânia Laranjo | 4 de Agosto de 2022 às 01:30
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• Foto: Direitos Reservados
Suspeitas contra o padre Manuel Machado não chegaram à Polícia Judiciária
Vizinhos relatam "comportamentos estranhos" após afastamento de padre de paróquias em Vila Pouca de Aguiar
Pároco de Vila Pouca de Aguiar é suspeito de abusar de criança há mais de trinta anos. Vizinhos falam em novas suspeitas.

As suspeitas contra o padre Manuel Machado - que já levaram ao seu afastamento de três paróquias de Vila Pouca de Aguiar - não chegaram à Polícia Judiciária. Nem tão-pouco os comportamentos que os vizinhos agora recordam como estranhos, como a proximidade com menores, rapazes, com carências económicas e naturais das referidas freguesias.

Em Parada de Monteiros, Pedras Salgadas, uma moradora garantiu ao CM que sempre achou estranho o padre estar muitas vezes rodeado de meninos, com quem mantinha relações de muita cumplicidade. O padre é agora acusado de ter abusado de um menor em Sintra há mais de trinta anos, mas o caso continua sem investigação das autoridades.

"Ele com os adultos era ríspido, mas com as crianças parecia diferente. Principalmente com um grupo de rapazes que estava sempre à espera dele e a quem ele dava sempre muitas prendas", conta uma moradora que estranha não ter sido dada qualquer explicação aos paroquianos quando foi afastado, tal como o CM noticiou a 27 de janeiro. "Soubemos que tinha saído pela televisão. Ele deixou de aparecer de um momento para o outro e nem nas missas seguintes foi dito o motivo. Agora vêm padres diferentes, mas ninguém explica o que aconteceu no passado."

D. Manuel Clemente disse recentemente em carta aberta - após ser acusado de ter calado uma outra denúncia de abusos, que dizia respeito a um padre do Centro do País - que uma outra suspeita de abusos estava a ser investigada pela Diocese de Vila Real. Trata-se do caso do padre Manuel Machado, mas o CM sabe que o processo não foi comunicado pela Igreja à Polícia Judiciária de Vila real, nem sequer à PJ de Lisboa, que teria de investigar o caso ocorrido há 30 anos em Colares, Sintra.

"Não sabemos de nada, nem sequer sabemos onde está o padre. Desapareceu daqui e nem sabemos se as suspeitas são ou não verdadeiras", lamentou outra moradora, garantindo que sempre gostou do padre e que nunca suspeitou de comportamentos desviantes em termos sexuais.

Igreja revelou nome do pároco
Foi a Igreja que decidiu no início deste ano dar conta do afastamento do padre Manuel Machado. Foi revelada a sua identidade, mas não foi fornecido qualquer dado relativamente aos alegados atos de abusos cometidos em Colares, quando o padre tinha cerca de 30 anos.

PORMENORES
Afastado pelo patriarcado
Um padre da Lourinhã foi recentemente afastado pelo patriarcado, depois de ser conhecida uma denúncia também com cerca de 30 anos.

Conheceu caso
O cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, teve conhecimento da denúncia e chegou a encontrar-se pessoalmente com a vítima em 2019. Decidiu não denunciar o caso às autoridades civis e manter o padre no ativo com funções de capelania.

Vizinhos defendem
Na Lourinhã, muitos moradores defendem o padre, garantindo nunca se ter apercebido de qualquer comportamento suspeito.

Está internado
O padre que foi denunciado há mais de 30 anos por abusos cometidos na Lourinhã está agora gravemente doente. O CM tentou sem êxito contactar o padre.

Sem atividade
O capelão estava ligado a uma associação que ajudava crianças desfavorecidas. A Associação está agora sem atividade devido à doença do padre.

Competência reservada
Os crimes de abusos sexuais contra menores são da competência reservada da Polícia Judiciária.

PGR fala em 10 inquéritos abertos após denúncias
O Ministério Público anunciou recentemente que abriu dez inquéritos a partir das 17 denúncias anónimas reportadas pela Comissão Independente (CI) para o Estudo de Abusos Sexuais contra Crianças na Igreja Católica em Portugal. Dos inquéritos instaurados, sete encontram-se em investigação e três foram arquivados: um por prescrição, outro porque os factos já tinham sido julgados e alvo de condenação e um terceiro por falta de provas.

Comunicado torna caso público
Na última segunda-feira, o patriarcado de Lisboa anunciou o afastamento de um padre depois de ter recebido uma denúncia sobre um "possível crime de violação" praticado pelo sacerdote.

A informação foi anunciada pelo próprio patriarcado de Lisboa em comunicado de imprensa, no qual explicava que comunicou o caso "às autoridades civis competentes" e acrescentou que o caso não diz respeito a um crime contra um menor de idade. A PJ não recebeu no entanto qualquer comunicação.

Depoimento confuso e relatos antigos
O depoimento da mulher que diz ter sido violada é confuso. Assumiu esta quarta-feira na PJ ter mantido um relacionamento com o padre, mas depois relata várias situações antigas que envolvem menores mas sem identificar as vítimas.

Medicina legal confirma lesões
Os exames médicos feitos no Instituto de Medicina Legal não apontam para qualquer lesão sexual. Confirmam de facto que houve relações, mas não parece ter havido violência entre a vítima e o padre. Pelo menos não há lesões.

Vítima conta à PJ abusos do capelão
A mulher que denunciou o padre João Cândido da Silva, capelão de Cascais, foi esta quarta-feira ouvida na Polícia Judiciária de Lisboa. Ainda não tinha sido formalmente inquirida naquelas instalações da polícia, sendo que os contactos que tinha mantido com os investigadores tinham sido telefónicos. Tinha sim formalizado a queixa na GNR de Alcabideche, também em Cascais, na altura em que a vítima decidiu dizer quem era o atacante.

O CM sabe que o primeiro contacto para a PJ foi feito pelo Instituto de Medicina Legal de Lisboa. A mulher dirigiu-se àquele organismo para fazer exames médicos, mas na altura recusou-se a dizer quem a tinha violado. Contactada a PJ, os investigadores falaram com a vítima, que só ao fim de umas semanas decidiu denunciar o padre. Disse também que tinha mantido um relacionamento amoroso com o padre durante muitos anos e que sabia que ele teria abusado de uma menor, em Vila Real, há cerca de 15 anos. Esta quarta-feira, voltou a reafirmar as mesmas acusações.
As suspeitas contra o padre Manuel Machado - que já levaram ao seu afastamento de três paróquias de Vila Pouca de Aguiar - não chegaram à Polícia Judiciária. Nem tão-pouco os comportamentos que os vizinhos agora recordam como estranhos, como a proximidade com menores, rapazes, com carências económicas e naturais das referidas freguesias.



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