Padre denunciado por abuso sexual de crianças diz ter sido silenciado
Cónego de Joane garante que foi impedido de se defender levantando suspeições, mas sem identificar o destinatário.
O cónego Fernando Sousa e Silva, que foi alvo de denúncias de abuso sexual de menores durante a confissão, diz que foi silenciado e impedido de se defender na praça pública. O padre, de 93 anos, de Joane, Vila Nova de Famalicão, que viu as queixas serem arquivadas em abril deste ano pela Arquidiocese de Braga, enviou uma carta à comunicação social onde critica o processo cujas denúncias começaram em 2019.
“O meu silêncio público ao longo deste processo não resultou de ausência de defesa, nem pode ser interpretado como admissão de culpa; resultou das indicações que recebi para não prestar declarações públicas, não escrever, não dar entrevistas e não aparecer publicamente”, escreve o padre na carta que usa também para se defender das acusações de natureza sexual: “Quando atendia confissões de pessoas do sexo feminino, independentemente da idade, utilizava confessionário fechado, com separação física através do crivo, situado na nave da igreja e em local visível. Eram habitualmente vários os sacerdotes a confessar, e havia pessoas próximas a aguardar a sua vez.”
A Arquidiocese de Braga, recorde-se, arquivou o processo no passado dia 8 de abril, anunciando o fim de medidas disciplinares impostas ao padre de Joane, mas admitindo, porém, “eventuais comportamentos imprudentes ou inadequados” do sacerdote. Sobre o tempo que a Arquidiocese levou a anunciar o arquivamento do processo, o padre Fernando Sousa e Silva tem também críticas a apontar, deixando no ar alguma estranheza : “Importa recordar que a investigação canónica remetida para o Dicastério para a Doutrina da Fé, em Roma, foi arquivada em junho de 2023, por não ter sido provada a acusação. Este elemento é essencial para a compreensão pública do caso.”
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