Pais em silêncio salvam filho da cadeia por tentativa de homicídio
Cadastrado por homicídio foi absolvido em Braga de tentar matar os pais, em 2017.
O silêncio dos pais de Cristiano Ferreira em tribunal permitiu que o arguido, de 36 anos, fosse absolvido esta sexta-feira pelo Tribunal de Braga, que o julgou por tentativa de homicídio dos progenitores ao incendiar o quarto onde estes dormiam. "Eram as únicas testemunhas que percecionaram os factos. Tendo-se recusado a falar, houve uma fortíssima limitação à descoberta da verdade", sublinhou a presidente do coletivo de juízes.
O arguido - que já foi condenado a 14 anos de prisão por um homicídio - estava acusado de dois crimes de homicídio na forma tentada, além de um crime de incêndio tentado, dois crimes de extorsão, também na forma tentada, e um crime de furto qualificado.
"Pode ficar a suspeita do que poderá ter acontecido, mas a decisão do tribunal não pode ser baseada em suspeitas", disse ainda a juíza, vincando que o tribunal ficou impossibilitado de valorar os depoimentos que os pais fizeram em sede de inquérito e até à comunicação social na altura dos factos em setembro de 2017, em S. Mamede de Este, Braga.
Após o crime, fugiu para França e roubou o carro à namorada, mas foi detido pela PJ.
PORMENORES
Matou homem num assalto
Em 2004, o arguido matou um homem durante um assalto, na Póvoa de Lanhoso, e foi condenado a 14 anos de prisão. Saiu em liberdade condicional, em maio do ano passado.
Negou crimes no tribunal
Durante o julgamento, Crisitiano Ferreira negou ter regado o quarto dos pais com álcool por estes não lhe darem dinheiro. "Foi o aquecedor coberto com a mantinha que provocou o incêndio. Não houve álcool nenhum. Eu amo os meus pais, são tudo o que tenho. Era incapaz de os matar", afirmou em tribunal.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt