Pais exigem 650 mil euros por mortes na recruta
Famílias de Dylan Silva e Hugo Abreu, mortos na ‘prova zero’ do curso 127, reclamam.
Os pais de Dylan Silva e Hugo Abreu, os dois militares que morreram em setembro de 2016 na ‘prova zero’ do 127º curso de Comandos, vão exigir 650 mil € de indemnização ao médico e instrutores, e ainda ao Estado.
Segundo os advogados das famílias, os pais dos militares de 20 anos, concordam com a acusação do Ministério Público que imputa a 19 arguidos, entre comandantes de instrução, instrutores, médico e enfermeiros do curso, perto de 500 crimes de abuso de autoridade por ofensas à integridade física.
A família de Hugo Abreu já juntou à acusação o pedido de indemnização de 300 mil euros: 200 mil por perda do direito à vida, 30 mil por danos sofridos pela vítima e 70 mil por danos sofridos pelos pais. Os pais de Dylan devem em breve entregar o seu pedido de indemnização, no valor de 350 mil euros - superior, uma vez que o jovem esteve uma semana a agonizar.
Os dois jovens foram levados ao extremo das suas capacidades físicas, obrigados a exigentes exercícios físicos e militares com forte restrição de água e alimentação, num dia com temperaturas a rondar os 40 graus. Morreram de "golpe de calor".
A acusação do Ministério Público - após investigação da Polícia Judiciária Militar coordenada pela procuradora da República Cândida Vilar - refere que os militares sofreram ofensas corporais e uma má assistência médica. "Criaram ambiente de pânico e sofrimento físico e psicológico nos ofendidos, sujeitando-os a tratamento não compatível com a natureza humana", dizem os advogados das famílias.
PORMENORES
Disciplina
O Exército abriu três processos disciplinares ao médico, ao diretor do curso e a um dos instrutores. Este, o sargento Rodrigues, já cumpriu pena de ‘proibição de saída’ durante dez dias.
Pendentes
Os outros dois estão pendentes, após recurso do capitão-médico Miguel Domingues (pena de ‘inatividade’) e o tenente-coronel Mário Maia, diretor do curso (dez dias de ‘proibição de saída’).
Decisões
Um dos recursos já teve concluída a sua análise pelo departamento jurídico do Exército e a decisão deverá ser tomada esta semana. O outro deu entrada mais tarde e a decisão virá mais tarde.
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