“Passei fome por causa do vício do jogo”: Luís Silva acabou numa clínica de recuperação
Luís chegou a perder salários no próprio dia em que os recebia.
Tudo começou por volta dos 10 anos, com os jogos de computador. “Jogava de forma adictiva, nas aulas só pensava no que ia jogar quando chegasse a casa”, recorda Luís Silva, hoje com 32 anos.
A obsessão cresceu e, mais tarde, deu lugar às apostas desportivas online. A primeira trouxe-lhe “euforia, sensação de poder e dinheiro fácil”. Depois vieram as perdas, as dívidas e a ilusão de que a próxima aposta resolveria tudo. Chegou a perder salários no próprio dia em que os recebia. “Começava a jogar ao acordar até não restar mais um euro”, recorda. “Para o fim já precisava de ficar dias sozinho, deitado, a recuperar emocionalmente”, conta. Pelo caminho perdeu “relações e a confiança dos outros”. “Passei fome, manipulei e roubei os meus”, relembra.
“À noite dizia que era a última vez, mas no dia seguinte fazia tudo igual.” A mãe, Zélia Silva, começou a desconfiar dos pedidos constantes de dinheiro, depois as desculpas inventadas. Anos mais tarde, quando percebeu que Luís não queria ajuda, a família afastou-se. “Fechei a porta e voltava a fazê-lo. Enquanto houver alguém a amparar os golpes, não percebe que tem uma doença”, diz. Depois de várias tentativas, pediu ajuda e foi para a Linha d’Água, uma clínica de reabilitação, no Bombarral. O processo incluiu terapia, regras apertadas e, inicialmente, isolamento do exterior. “O animal do jogo que vive em mim está a dormir”, diz. A última aposta foi há seis anos.
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