“Passei fome por causa do vício do jogo”: Luís Silva acabou numa clínica de recuperação

Luís chegou a perder salários no próprio dia em que os recebia.

10 de maio de 2026 às 01:30
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Tudo começou por volta dos 10 anos, com os jogos de computador. “Jogava de forma adictiva, nas aulas só pensava no que ia jogar quando chegasse a casa”, recorda Luís Silva, hoje com 32 anos.

A obsessão cresceu e, mais tarde, deu lugar às apostas desportivas online. A primeira trouxe-lhe “euforia, sensação de poder e dinheiro fácil”. Depois vieram as perdas, as dívidas e a ilusão de que a próxima aposta resolveria tudo. Chegou a perder salários no próprio dia em que os recebia. “Começava a jogar ao acordar até não restar mais um euro”, recorda. “Para o fim já precisava de ficar dias sozinho, deitado, a recuperar emocionalmente”, conta. Pelo caminho perdeu “relações e a confiança dos outros”. “Passei fome, manipulei e roubei os meus”, relembra.

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“À noite dizia que era a última vez, mas no dia seguinte fazia tudo igual.” A mãe, Zélia Silva, começou a desconfiar dos pedidos constantes de dinheiro, depois as desculpas inventadas. Anos mais tarde, quando percebeu que Luís não queria ajuda, a família afastou-se. “Fechei a porta e voltava a fazê-lo. Enquanto houver alguém a amparar os golpes, não percebe que tem uma doença”, diz. Depois de várias tentativas, pediu ajuda e foi para a Linha d’Água, uma clínica de reabilitação, no Bombarral. O processo incluiu terapia, regras apertadas e, inicialmente, isolamento do exterior. “O animal do jogo que vive em mim está a dormir”, diz. A última aposta foi há seis anos.

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