Notas de Orlando Figueira envolvem procurador do DCIAP
Julgamento continua esta quarta-feira.
Paulo Blanco, o advogado do Estado angolano que está a ser ouvido pelo terceiro dia consecutivo no âmbito da Operação Fizz, disse esta quarta-feira em tribunal que a procuradora do DCIAP, Teresa Sanchez, "não tinha uma autonomia reduzida".
Blanco recorreu a um e-mail, que consta dos autos, enviado pela magistrada ao colega Orlando Figueira, numa altura em que o procurador já tinha saído do DCIAP.
"É contraditório com o que consta na acusação e com as declarações da própria procuradora ao processo", afirmou o advogado, acrescentando que o processo Fizz deveria ter seguido outro curso. "A Procuradora Teresa Sanchez é uma magistrada em funções".
Orlando Figueira assumiu na sua contestação que mantinha uma relação com Teresa Sanchez, sua adjunta no DCIAP. Paulo Blanco disse depois que Teresa Sanchez sempre concordou com os arquivamentos a Manuel Vicente e lembrou que a procuradora se manteve no DCIAP, a investigar processos de Angola. Voltou a arquivar os casos que foram reabertos.
Teresa Sanchez é uma das testemunhas que vão ser chamadas pelo Ministério Público e que estará debaixo de fogo por parte das defesas dos arguidos. A magistrada é descrita pela acusação como alguém com autonomia reduzida, o que é contestado pelos réus.
O julgamento prossegue da parte da tarde com Blanco a garantir não conhecer Armindo Pires. "Ele é que apareceu no escritório", diz. O advogado garante que a procuração que tinha de Manuel Vicente "não era nenhum nenhum plano para esconder informação".
"A partir do momento em que o Estado angolano me dá conhecimento dessa preocupação sobre a investigação tratei disto. Foi considerado um assunto de estado", alega o arguido Paulo Blanco, acrescentando que o registo criminal de Vicente foi enviado pelo procurador-geral da República de Angola "exatamente por ser assunto de estado".
Paulo Blanco explicou em tribunal as alcunhas utilizadas nas notas apreendidas a Orlando Figueira. Para o advogado, Figueira quis proteger os colegas. "Nas notas é referido um processo que tem como alvo Álvaro Sobrinho. Tem uma que fala de uma 'loira'. Trata-se da advogada Ana Bruno. O 'meias brancas' é Rosário Teixeira. O 'Ricky Martin' é Ricardo Matos. No fundo o que a nota quer dizer é que Álvaro Sobrinho está envolvido com Ana Bruno e Ricardo Matos no processo de Ricardo Teixeira", explica.
De seguida, a palavra é retomada por Orlando Figueira. "São alcunhas. Eu sabia que quem quem lê ia tirar interpretações. No fundo o que as notas significam é que no processo investigado por Rosário Teixeira, Ricardo Matos está envolvido com malas de dinheiro. Ou melhor, está a investigar malas de dinheiro", afirma, mostrando-se um pouco baralhado com as palavras.
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