PJ desmantela grupo criminoso que ajudou a regularizar ilegalmente cerca de 4 mil imigrantes
Quatro pessoas foram detidas: dois cabecilhas do grupo, um advogado e um empresário.
A Polícia Judiciária desmantelou em Oeiras e Odivelas, esta segunda-feira, um grupo criminoso organizado que ajudou a regularizar ilegalmente cerca de quatro mil imigrantes em Portugal. Foram detidos dois cabecilhas do grupo, um empresário e um advogado.
Os suspeitos dedicavam-se à pratica de crimes de auxílio à imigração ilegal, falsificação de documentos, acesso ilegítimo, falsidade informática, branqueamento de capitais e detenção de arma proibida.
A investigação teve inicio em setembro de 2023. "Os imigrantes, enquanto 'clientes' que se mostravam disponíveis a pagar valores elevados para conseguir legalizar-se em território nacional, eram angariados pelo grupo, através de complexos esquemas, seja nos países de origem, seja aquando da chegada ao nosso país, com a promessa de fornecimento de um conjunto de serviços, tais como: obtenção de contratos de trabalho, Número de Identificação Fiscal (NIF), Número de Identificação de Segurança Social (NISS), atestados de residência, histórico contributivo na Segurança Social, entre outros", pode ler-se no comunicado da PJ.
Dois dos suspeitos detidos utilizavam senhas de acesso à Segurança Social Direta usurpadas a dezenas de entidades empregadoras insolventes e sem atividade económica, "qualificaram irregularmente e entregaram declarações de remuneração, conseguindo assim criar falsos históricos contributivos para cerca de 4 mil cidadãos estrangeiros, o que gerou, até à data, uma dívida acumulada à Segurança Social de cerca de 10 milhões de euros."
Segundo a PJ, muitos dos imigrantes legalizados por esta rede estão noutros países do espaço europeu. Das quatro buscas realizadas na Operação 'Terra Milagrosa' foi apreendido um vasto acervo de documentação utilizada em processos de legalização irregular de estrangeiros, equipamentos informáticos, dinheiro em numerário e diversos artigos adquiridos com os proventos do crime.
Os detidos - um estrangeiro de 53 anos e um português de 56 - têm antecedentes criminais pela prática dos mesmos crimes.
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