PJ investiga licenciatura de administradora de região hidrográfica
Susana Fernandes lidera a área do Tejo e Oeste e inclui no currículo a licenciatura em engenharia química que alegadamente não tem.
A administradora da Região Hidrográfica do Tejo e Oeste (RHTO), Susana Fernandes, está a ser investigada pelo Ministério Público por, alegadamente, não possuir o grau de licenciatura que consta do seu currículo e que lhe permitiu entrar na função pública e progredir na carreira nos últimos 26 anos.
Susana Fernandes entrou na função pública em 1999 como técnica superior na Câmara Municipal de Idanha-a-Nova. Para o efeito, incluiu no seu currículo uma licenciatura em Engenharia Química tirada na Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra mas, aparentemente, não terá concluído o curso.
A notícia foi avançada pelo jornal Reconquista, de Castelo Branco, que contactou a faculdade em causa para saber se a administradora da RHTO tinha ou não o grau de licenciatura atribuído pela instituição. Confrontada com a situação que desconhecia, é a própria Universidade de Coimbra que comunica a falsa publicitação da licenciatura à Polícia Judiciária do Centro e que despoleta a investigação agora em curso.
Desde a sua entrada na função pública em 1999 na Câmara de Idanha-a-Nova, onde foi responsável pelo Serviço de Águas e Saneamento até 2001, Susana Fernandes passou por cargos decisórios em vários organismos regionais e nacionais até chegar a administradora da RHTO, a maior região hidrográfica do país, em 2019.
A confirmar-se a ausência de uma licenciatura válida para as funções que lhe foram atribuídas, todas as decisões tomadas ao longo da sua carreira de 26 anos podem ser postas em causa e eventualmente reclamadas.
Segundo a publicação, as dúvidas sobre a licenciatura da administradora surgiram numa altura em que o seu marido e atual presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco, António Fernandes, surgia como um dos nomes mais fortes a uma candidatura à Câmara local nas próximas autárquicas pela coligação “Sempre por Todos”. António Fernandes acabou por retirar o seu nome da corrida em março alegando “questões pessoais”.
A Associação Portuguesa do Ambiente, que supervisiona a região Hidrográfica do Tejo e Oeste, já abriu um inquérito interno de investigação às habilitações da adminsitradora.
O Correio da Manhã tentou contactar Susana Fernandes mas, até ao momento não foi possível obter esclarecimentos sobre o assunto.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt