Poceirão vai ter escola após 13 anos de protesto

A Câmara de Palmela e a Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) assinam hoje um protocolo para construção de uma escola 2 3 no Poceirão/Marateca. Um investimento global de cerca de dois milhões de euros e que levou a população local nos últimos 13 anos a desencadear várias acções de protesto, a última das quais com a presença de um burro, numa alusão à política educativa praticada.

20 de dezembro de 2004 às 00:00
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A autarquia anunciou que o acordo para a construção da nova escola, que vai leccionar do 5.º ao 9.º ano de escolaridade, foi alcançado durante uma reunião efectuada quinta-feira entre o Director Regional de Educação de Lisboa e a Presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente (CDU).

O Ministério da Educação pretendia construir apenas uma escola dos 1.º e 2.º ciclos, mas os encarregados de educação reclamavam também o 3º ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos de escolaridade).

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O novo estabelecimento de ensino vai acolher centenas de alunos das freguesias do Poceirão e Marateca que estão matriculados em diversas escolas dos concelhos de Setúbal, Montijo (Pegões), Vendas Novas e Alcácer do Sal, situação que os obriga a levantarem-se muito cedo, cerca das 6h00, e a percorrerem dezenas de quilómetros todos os dias.

Para Ana Teresa Vicente, o projecto da nova escola já está em fase de elaboração e o concurso público para construção daquele equipamento escolar deverá ser lançado até Julho de 2005, pelo que a sua abertura ao ensino só deverá ocorrer em 2006.

Um dos principais dinamizadores do Movimento Pró-Escola do Poceirão, José Manuel Silvério, acredita que o processo poderá andar mais depressa e que o concurso público será lançado no próximo mês de Fevereiro de 2005, para que a construção da escola arranque em meados do próximo ano.

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José Manuel Silvério adverte, no entanto, que a “autarquia ainda não é detentora do terreno que se propõe ceder ao Ministério da Educação”.

“O terreno prometido ao Ministério da Educação é do empresário Xavier de Lima e nada nos garante que não venha a surgir qualquer problema que acabe por atrasar todo o processo”, disse José Manuel Silvério.

A cerimónia de assinatura do protocolo para a construção da escola de 2.º e 3.º Ciclos terá lugar às 16h00, no Fórum Cultural do Poceirão.

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BURRO FOI IMAGEM DE PROTESTO

O burro ‘Justino Leite’, baptizado assim em alusão aos antigos ministros da Educação, David Justino, e das Finanças, Manuela Ferreira Leite, foi a imagem dos protestos das populações de Poceirão e Marateca para obterem a escola. Em Fevereiro último, o burro carregado de mochila participou acampanhado de uma centena de pessoas, entre crianças e adultos, na manifestação de reivindicação da construção da escola.

A manifestação percorreu os 40 quilómetros que separam os terrenos onde será erguida a escola e uma outra no Pinhal Novo, frequentada pelas crianças do Poceirão. “É uma injustiça”, clamou então José Manuel Silvério, da Comissão Pró-escola do Poceirão/Marateca, adiantando ao CM: “Depois de treze anos a reivindicar uma escola de 3.º Ciclo, a Câmara de Palmela parece agora disposta a aceitar só os 1.º e 2.º ciclos”. Referindo, na altura, Manuel Silvério que a população fora abandonada pela autarquia.

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