Polémica com líder da investigação de acidente em Tires
Diretor em substituição. Trabalho pode ser posto em causa.
O despacho do governo que nomeou o diretor do gabinete que investiga acidentes aéreos foi publicado no dia seguinte à tragédia de Tires, segunda-feira, em que a queda de uma avioneta matou cinco pessoas. A nomeação, sem concurso, é polémica. Nelson Oliveira liderava a investigação a acidentes ferroviários - fundida com a congénere de aviação civil a 1 de abril - e, segundo fontes consultadas pelo CM, não terá "competência técnica" para nomear ou liderar investigadores de acidentes aéreos.
"Havia o risco de a investigação ao acidente ser desconsiderada - até por seguradoras - por não ter líder tecnicamente capaz. Esse risco mantém-se porque o novo diretor [Nelson Oliveira] não tem competência para nomear investigadores de acidentes aéreos. Essa é função de um coordenador técnico com conhecimento na área, lugar que está por preencher", acusou a mesma fonte.
O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários foi criado pelo ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques. O ministério diz que Nelson Oliveira foi nomeado em substituição e que se seguirá o concurso na Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública. Sobre o risco de invalidade da investigação, refere que foram pedidos pareceres às autoridades europeias do setor sobre a "formulação do decreto e do gabinete".
O coordenador para a área da avião civil irá ser recrutado, assegura o Governo.
O acidente de Tires matou um milionário suíço, um cirurgião francês e as respetivas companheiras, que iam na avioneta, e o motorista Virgílio Almeida, 49 anos, que descarregava o camião no Lidl e foi atingido.
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