Polícia ciumento fica preso
Um agente da PSP de Coimbra ficou em prisão domiciliária, com pulseira electrónica, depois de ter sido detido pela Polícia Judiciária de Aveiro, por suspeita de fogo posto. O crime terá sido cometido num quadro de vingança, por ciúmes da mulher, e a vítima foi também um polícia, afecto à PSP da Mealhada.
A medida de coacção, a segunda mais grave do Código de Processo Penal, surpreendeu a defesa – num momento em que a Justiça muitas vezes é questionada pela brandura das suas decisões – atendendo a que o polícia não terá posto em risco a vida de terceiros. Também não haveria perigo de fuga, nem de continuação da actividade criminosa, já que o crime foi cometido num quadro muito particular.
Os factos remontam a 4 de Janeiro, depois de o polícia suspeitar que o colega teria um relacionamento amoroso com a sua mulher. Naquela madrugada, o agente terá ido a casa do outro polícia. Atirou gasolina para o carro da vítima – um Citroën AX, estacionado já na entrada da casa.
O fogo destruiu rapidamente a viatura e provocou danos na habitação. Os vidros e as paredes ficaram danificadas.
Quanto ao agente incendiário, ainda terá sofrido queimaduras em ambas as mãos. Não foi receber tratamento médico, com receio de que o registo hospitalar o denunciasse, mas meteu imediatamente baixa médica.
As primeiras perícias da Polícia Judiciária apontaram para fogo posto. E as suspeitas recaíram no homem que revelava um comportamento absolutamente perturbado desde que desconfiara de que a mulher o traía com o colega da PSP.
As marcas deixadas pela gasolina nas mãos foram tidas em conta como prova. O polícia também terá reconhecido o acto.
Anteontem, foi ouvido no Tribunal da Mealhada, mas a medida de coacção imposta pelo juiz só foi conhecida já durante a noite. Fica preso em casa e ser-lhe-á agora aplicada pulseira electrónica.
PORMENORES
INVESTIGAÇÃO INTERNA
A PSP vai desencadear um processo interno para aplicação de uma sanção disciplinar. O polícia poderá vir a ser expulso da corporação, após a investigação que será desencadeada.
PULSEIRA ELECTRÓNICA
A pulseira electrónica não é aplicada imediatamente. O Instituto de Reinserção Social ainda terá de avaliar as condições da casa do agente que terá de dispor de telefone fixo. Deverá também ser imediatamente suspenso.
NÃO FOI DETIDO
Por não haver perigo de fuga, o agente da PSP apenas foi identificado pela Polícia Judiciária. Compareceu ao juiz de instrução que determinou a sua prisão domiciliária. A medida tinha sido pedida pelo Ministério Público.
CIÚMES NA ORIGEM
Ciúmes terão estado na origem do crime praticado pelo polícia contra o colega, também polícia.
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