Polícias e guardas fartos de esperar por Luís Neves admitem voltar à rua
Há 3 meses que sindicatos e associações da PSP e GNR aguardam por soluções para problemas. Ministério da Administração Interna promete reuniões para setembro.
Os sindicatos da PSP e associações da GNR com representatividade para negociações com o ministério da Administração Interna estão "fartos" de esperar por soluções para os problemas laborais. A última reunião mantida com o ministro, Luís Neves, foi em junho. Entretanto, o governante adiou encontro marcado para julho e as estruturas envolvidas dizem não ser possível esperar mais, ponderando protestos conjuntos.
Bruno Pereira, presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP), considera Luís Neves "fragilizado devido aos assuntos que o envolvem". Exemplo disso "foi a proposta avançada após a última reunião, de junho, para a criação de um suplemento salarial de 135 euros/mês para a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras. Além do valor ser ridículo, a mesma está parada por falta de diálogo".
Já Paulo Jorge Santos, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), recordou que "o acordo que a ASPP assinou com o Governo em 2024 (que, recorde-se, aprovou um suplemento de risco para as duas forças, e prometeu um despacho conjunto de novos estatutos remuneratórios para PSP e GNR) está parado". "Não há progressões salariais, nem se fala em promoções. A atratividade na carreira continua em decréscimo", explicou. Por estas e outras razões, adiantou o presidente da ASPP "pedimos uma reunião com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, para que seja ele a pressionar o ministro Luís Neves a retomar o diálogo laboral".
Paulo Macedo, presidente do Sindicato dos Polícias Portugueses, defende mesmo que "considerando que Portugal é um país fortemente turístico, a falta de investimento na PSP, e de vontade em resolver os problemas, afasta turistas e investimento".
Carlos Torres, presidente do Sindicato Independente de Agentes da PSP (SIAP), quer dar o próximo passo. Depois de o ministério de Luís Neves ter adiado a reunião com as estruturas de PSP e GNR, marcada para 15 de julho, o SIAP, com o apoio da Associação de Sargentos da GNR, "apela a que sindicatos e associações se reunam, para debate conjunto dos problemas comuns". Disponível para protestos, mas, para já, apenas dentro da Comissão Coordenadora das Forças de Segurança (na qual se insere), está a Associação dos Profissionais da GNR.
Contactada pelo CM, fonte oficial do ministério assegurou que "o diálogo formal e informal, direto e indireto, entre o senhor ministro e os dirigentes das estruturas, tem sido permanente". "Desde a sua posse, que o empenho do ministro da Administração Interna na valorização das forças de segurança é visível", concluiu. O ministério de Luís Neves espera retomar em setembro, ainda sem datas definidas, as reuniões laborais exigidas por sindicatos e associações.
Decisão judicial trava concurso
O curso de promoção à categoria de agente coordenador da PSP está há oito meses parado. A ação de formação devia ter arrancado em dezembro de 2025 mas, segundo a PSP, “o Tribunal Administrativo anulou parcialmente a ordenação final do concurso de 2024”. A ASPP culpa o Governo e a PSP pela situação. No concurso parado inscreveram-se 2414 candidatos, para 800 vagas.
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