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Ventura diz que se primeiro-ministro "está comprometido" com Luís Neves "não tem autoridade sobre o País"

Segundo o líder do Chega, o caso com Luís Neves prende-se com questões "sérias" e de "integridade", não "de minudência".

24 de agosto de 2026 às 19:32

O presidente do Chega insistiu esta segunda-feira na demissão do ministro da Administração Interna, Luís Neves, defendendo que, se o primeiro-ministro "está comprometido" e não tem "autoridade" sobre este governante, "então não tem autoridade sobre o País".

Segundo o líder do Chega, que falava esta segunda-feira à tarde aos jornalistas em Évora, à margem de uma visita à sede distrital do partido, destruída num incêndio na semana passada, o caso com Luís Neves prende-se com questões "sérias" e de "integridade", não "de minudência".

Afirmando que o Presidente da República, António José Seguro, já "deixou claro" no sábado que "todos têm que assumir a sua responsabilidade", Ventura argumentou que a sua já foi assumida, enquanto "líder da oposição".

"Nós já fizemos a nossa parte. Lançámos uma comissão parlamentar de inquérito, pedimos ao Parlamento que faça um voto de exoneração do ministro Luís Neves", enumerou, indicando ainda ter falado "com o Presidente da República pessoalmente sobre a gravidade da situação", assim como com o primeiro-ministro.

Refirmando que Luís Neves deve demitir-se por "falta de condições objetivas" para continuar a ser ministro, Ventura disse não saber porque não age o primeiro-ministro.

"Se o primeiro-ministro, por qualquer motivo que eu desconheço, está comprometido", isto é, se tem "algum grau de cumplicidade e não tem mão da autoridade sobre o ministro Luís Neves, então não tem autoridade sobre o país", referiu.

Para o líder o Chega, "isto é mesmo uma questão central de democracia, não tem nada a ver sequer já com partidarite", mas sim "com decência democrática".

"Se não há capacidade de fazer isto [demitir ou exonerar Luís Neves], não haverá capacidade de fazer nada e a nossa democracia degrada-se a olhos vistos", continuou.

Ainda em relação ao caso que envolve o ministro da Administração Interna, André Ventura foi questionado sobre como tem visto a posição do Presidente da República, António José Seguro, mas preferiu afiançar que, caso fosse ele o chefe de Estado, já teria resolvido o assunto.

"Cada presidente tem o seu estilo. Se eu tivesse sido eleito Presidente da República, teria certamente um estilo diferente, já teria dito ao primeiro-ministro que este ministro tem que sair. Isso já é clarinho como a água", observou.

Ventura disse que o mesmo se passaria se Marcelo Rebelo de Sousa ainda fosse Presidente da República: "Suspeito que o próprio Marcelo Rebelo Sousa já teria dito que tem que sair. Não há outra hipótese".

"Mas cada presidente tem o seu estilo, António José Seguro também tem o seu, nós respeitamos o espaço de cada um. Acho que, agora, cabe ao primeiro-ministro, como líder do Governo, dizer ao seu ministro que já não há condições" para manter-se no cargo, opinou.

Uma notícia com base numa investigação do semanário Nascer do Sol e da TVI/CNN refere que Luís Neves dispõe, no ministério, de várias viaturas oficiais topo de gama, de dois motoristas e de quatro elementos de segurança. Apesar disso, o governante conduz e leva para casa um carro desportivo apreendido pela Polícia Judiciária, que será o mesmo carro que já usava enquanto diretor-nacional da PJ.

Em resposta à notícia do Nascer do Sol e da TVI/CNN, o ministro explicou tratar-se de uma viatura de serviço em regime de comodato, devidamente autorizado em termos legais.

Na visita hoje efetuada a Évora, onde revelou que o partido já apresentou uma queixa-crime devido ao "incêndio estranho" que destruiu a sede distrital de Évora, Ventura abordou também a alegada invasão do seu gabinete na Assembleia da República (AR), no início do mês, afirmando esperar que a investigação ao caso termine rapidamente para permitir chegar a conclusões.

E, questionado acerca do estudo sobre a sustentabilidade da Segurança Social, Ventura acusou o Governo de "fogo-de-artifício político" para "abrir caminho para limitar as pensões ou para limitar a descida [da idade] da reforma".

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