Portugal tem área necessária para produzir energia solar sem conflitos

País assumiu o compromisso de gerar 93% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis até 2030.

22 de janeiro de 2026 às 16:04
Portugal tem área necessária para produzir energia solar sem conflitos Foto: d.r.
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Portugal continental tem mais de cinco vezes a área necessária para atingir o objetivo de 2030 de energia solar descentralizada sem gerar conflitos, indica uma análise divulgada esta quinta-feira.

Um excedente de locais dá aos decisores políticos e promotores de energia renovável "flexibilidade para escolher os sítios que funcionam melhor tanto para a energia quanto para o meio ambiente", refere.

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Os dados fazem parte de um estudo das organizações ambientalistas "The Nature Conservancy" e Zero, que esta quinta-feira apresentaram um "Guia Smart Siting (localização adequada)", uma ferramenta que aponta caminhos para Portugal conciliar metas de energia renovável com a conservação da natureza e reduzindo conflitos com as pessoas.

A investigação indica também que até 70% da energia eólica terrestre pode ser atingida em zonas de baixo conflito, com os restantes 30% podendo ser alcançados através da modernização dos parques eólicos existentes.

O trabalho identificou também as chamadas zonas de conflito moderado, uma "reserva estratégica com expansão futura", as que podem ser usadas com um planeamento cuidadoso e o envolvimento das partes Interessadas.

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As duas organizações notam que os dados de localização "Smart Siting" podem orientar onde investir em melhorias na rede, com foco em regiões com elevado potencial de energias renováveis e baixo conflito, "ajudando a evitar impactes desnecessários e contribuindo para um fornecimento eficiente de energia".

Também destacam a importância de se ter em consideração os valores estéticos, ouvir as comunidades, e garantir que os projetos reflitam as prioridades das pessoas e proporcionem benefícios duradouros.

O guia "Smart Siting" para Portugal é um estudo científico de modelação e mapeamento, para classificar o território português quanto ao seu potencial de desenvolvimento de projetos de energia renovável e quanto ao seu risco de conflitos com a biodiversidade e com os valores sociais e comunidades.

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Num comunicado, a Zero diz que o guia pode ser uma importante base para decisões políticas e técnicas, aos vários níveis do setor (promotores, entidades nacionais, municipais e comunitárias), "crucial no momento atual de definição das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis", e "demonstra que existe um enorme potencial em Portugal para se desenvolver energias renováveis em zonas de baixo conflito".

Diz ainda a Zero que desencorajar o desenvolvimento de energias renováveis em zonas de potencial conflito "não só é justo e benéfico para as populações e biodiversidade, mas também para os promotores, permitindo projetos mais céleres, com menos contestação e melhor reputação, acelerando, em última análise, a transição energética".

O guia resulta de dois anos de trabalho, tendo sido ouvidas mais de 70 organizações do setor, incluindo organizações não-governamentais, promotores de energias renováveis, a associação de energias renováveis e instituições públicas.

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Citado no comunicado o presidente da Zero, Francisco Ferreira, recordou que várias centrais solares de grande dimensão "têm gerado forte contestação e mobilização popular em muitos aspetos, resultado da seleção de áreas com fortes impactes ambientais e sociais".

Nesse sentido, considerou o estudo um contributo para ultrapassar conflitos, conciliando produção de eletricidade renovável com o respeito pela paisagem, biodiversidade e populações locais".

Portugal assumiu o compromisso de gerar 93% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis até 2030.

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