Português raptado durante três dias e meio acusado de desviar cocaína de grupo de tráfico internacional
Vítima foi agredida e ameaçada de morte. Os sequestradores mostraram-lhe fotos da família e garantiram que recorreriam à violência se não recuperassem a droga.
Um português com cerca de 50 anos, já com condenações em tribunal por ter participado em diversas importações de cocaína da América do Sul, passou três dias e meio raptado por 3 sérvios e 2 brasileiros, num apartamento de Lisboa.
Os sequestradores acusavam-no, e a outro brasileiro, do desvio de um carregamento de 240 quilos de cocaína expedido para Portugal num contentor de café vindo do Brasil. O grupo criminoso, no entanto, nunca soube que a droga tinha sido apreendida pela Polícia Judiciária. O contentor chegou à Europa num navio que aportou num porto espanhol, e foi depois transportado para uma empresa de Alverca. Foi neste local que a Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da Polícia Judiciária (PJ) apreendeu a droga, a 8 de Outubro, sem fazer detenções.
Não demorou até que a PJ recebesse a informação de que os dois homens, que seriam os destinatários da droga em Portugal, estavam metidos em apuros.
Um português foi sequestrado por um grupo de traficantes vindos do Brasil, enquanto um brasileiro (residente no nosso país, e colaborante com o negócio ilegal), foi obrigado pelos raptores a procurar 12 milhões de euros (valor presumível da cocaína), ou em alternativa a devolver o carregamento que os criminosos julgavam desviados.
Durante três dias e meio, a vítima do rapto foi agredida, e ameaçada de morte. Os sequestradores mostraram-lhe fotos da família, e garantiram que recorreriam à violência se não recuperassem a droga.
A PJ foi informada pelo traficante que não chegou a ser sequestrado, e viria, através da Unidade Nacional de Contraterrorismo, a conseguir libertar a vítima do rapto.
Os cinco autores do crime ficaram em prisão preventiva.
Na quinta-feira da semana passada, as duas vítimas do rapto foram presas por colaboração com o negócio abortado de importação de cocaína.
Também já estão na cadeia a aguardar acusação.
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