PRESOS NO CEMITÉRIO

Cinco pessoas ficaram domingo fechadas dentro do Cemitério de Vale Flores (Almada), após a hora de encerramento deste, às 17h00. “Temi passar a noite aqui dentro”, confessou ao CM Sandra Santos, recentemente viúva de Rui Santos, e que diariamente visita a campa do seu marido.

26 de novembro de 2002 às 00:04
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“Nunca pensei que perante um atraso não existisse qualquer solução para as pessoas poderem sair do cemitério”, sublinhou Sandra de 26 anos, ao que acrescentou que depois de ter ligado do seu telemóvel para a Polícia de Segurança Pública (PSP) esta lhe comunicou “não poder fazer nada”.

“Desde o dia 15 de Novembro, data de falecimento do meu marido, que diariamente me desloco ao cemitério para sentir a sua companhia. Este é um local muito extenso, pelo que quando a sirene tocou, nem eu nem uma amiga minha ouvimos o toque”, referiu a jovem.

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“Entendo que se os coveiros têm uns carrinhos com os quais circulam dentro do cemitério, no final do tempo da visita, que é das 9h00 às 17h00, deveriam percorrer todo o espaço a fim de avisarem as pessoas mais atrasadas para a obrigação de saírem”, adiantou Sandra Santos.

“Ao ver que estávamos sozinhas deslocámo-nos então para a saída e verificámos que para para além de nós, três outras pessoas ficaram impossibilitadas de sair”, acrescentou a jovem. Perante a impossibilidade de lhes ser facultada a saída, apenas dez minutos depois da hora do encerramento, “gerou-se um ambiente de um certo pânico, com uma das senhoras a tentar passar por baixo do portão sem o conseguir”, acrescentou a jovem, ainda não refeita do susto.

“Entregues a nós próprios tentámos encontrar uma solução para sair”, explicou. “Chovia muito e estava bastante frio, cerca de 45 minutos depois da hora de encerramento dos portões observámos que um deles estava fechado pelo trinco. Contudo - adiantou Sandra Santos – não era possível do lado de dentro abrir o portão”. “Foi então que um senhor que tinha uma chave de fendas, colocou o braço de fora e com a chave conseguiu desviar o trinco, permitindo a saída”, concluiu Sandra, que ontem voltou ao cemitério para visitar a campa do marido.

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SISTEMA DE ALARME É SOLUÇÃO

O Cemitério de Vale Flores (Almada) conta com um sistema de funcionamento que mesmo após as 17h00, hora de encerramento da infra-estrutura mortuária, permite que as pessoas possam sair, segundo informou um dos seus coveiros.

“Não há qualquer possibilidade de alguém ficar dentro do cemitério”, disse António Miguel Casimiro. “Depois das cinco da tarde, o portão principal fica sempre no trinco até às 19h00, sendo possível abri-lo do lado de dentro”. Após esta hora o portão é fechado à chave pelo segurança, contudo, se por hipótese alguém permanecer dentro do cemitério ao tocar no portão principal este acciona um alarme, pelo que de imediato o segurança abre o portão”, sublinhou o mesmo funcionário.

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Esta é a solução adoptada pela autarquia perante um considerável número de pessoas que, ao deslocarem-se de longe, nomeadamente do Algarve, quando chegam ao cemitério de Vale Flores em cima da hora do seu encerramento pedem para ficar um pouco mais de tempo junto dos entes queridos já falecidos.

O mesmo funcionário apontou que pesar da presença de seguranças, o cemitério é um focal frequentemente visitado pelos meliantes, pelo que ainda anteontem “tentaram com uma picareta roubar a zona dos balneários”. “É necessário haver uma maior vigilância da polícia”, acrescentou.

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