Principal suspeito de tortura na esquadra da PSP do Rato denuncia cultura interna de agressões a indigentes

Agente contou que colegas mais velhos o ensinaram a dar “tratamento” a alguns detidos.

21 de maio de 2026 às 01:30
Esquadra do Rato Foto: Direitos reservados
Imagens que estavam nos telefones dos polícias e que mostram os alegados crimes de tortura Foto: Direitos Reservados
Imagens que estavam nos telefones dos polícias e que mostram os alegados crimes de tortura Foto: Direitos Reservados
Imagens que estavam nos telefones dos polícias e que mostram os alegados crimes de tortura Foto: Direitos Reservados
Imagens que estavam nos telefones dos polícias e que mostram os alegados crimes de tortura Foto: Direitos Reservados

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Um dos principais suspeitos de tortura na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, declarou ao Ministério Público existir uma cultura interna na polícia de agressões a determinados detidos. O agente Guilherme Leme recordou que, quando iniciou funções na polícia, foi “instruído” por colegas mais antigos “de que alguns arguidos tinham de levar um determinado ‘tratamento’”, revelou, na quarta-feira, a revista Sábado.

A resposta do agente da PSP foi dada a uma pergunta não da procuradora do Ministério Público, mas sim da sua advogada, que o questionou se os comportamentos que estão em causa no processo não eram “de alguma forma habituais e até instigadas por superiores hierárquicos”.

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Guilherme Leme e Óscar Borges foram os primeiros agentes da PSP detidos na investigação do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP), por suspeitas de tortura, violação, abuso de poder, entre outros crimes, e já se encontram pronunciados para julgamento. Entretanto, o Ministério Público já avançou com mais duas operações: uma, em março deste ano, colocando sete agentes da PSP em prisão preventiva. A segunda, no início deste mês, conduziu à cadeia mais quatro polícias, enquanto outros dois, incluindo Mário Vaz Maia, irmão do cantor Nininho Vaz Maia, ficaram com as funções suspensas.

Nos depoimentos prestados à procuradora Felismina Carvalho Franco, as vítimas descreveram as horas de terror, crueldade e sadismo passadas no interior da esquadra da PSP, no Rato. A maioria disse não ter apresentado queixa por medo de represálias.

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