Prisão preventiva para casal que liderou rede de tráfico humano acusado de escravizar homem durante 30 anos
Rede operou durante décadas entre Portugal e Espanha.
Ficou em prisão preventiva o casal português acusado de escravizar várias pessoas, incluindo um homem durante 30 anos. A rede de tráfico humano liderada por uma família operou durante décadas entre Portugal e Espanha.
O grupo recrutava pessoas em situação de vulnerabilidade social na zona de Coimbra com promessas de trabalho e remuneração em Espanha e mantinham-nas em cativeiro e sob ameaça constante. Um homem de 63 anos foi escravizado durante três décadas e foi resgatado, numa aldeia a 70 quilómetros de Burgos, pela Polícia Judiciária do Centro na operação ‘Mãos Livres’, em parceria com a Guardia Civil. A vítima vivia num anexo, fechada com um cadeado, que pertencia à casa dos traficantes para que os mesmos controlassem todos os seus movimentos. Além de privado da liberdade, cuidados médicos e alimentação equilibrada, o homem esteve isolado de toda a informação, inclusive não sabia quem é o Presidente da República.
Durante três décadas, trabalhou todos os dias do ano, sem folgas, em terrenos agrícolas em condições deploráveis. Os exploradores ficaram com todo o dinheiro do homem, arrecadando ao longo dos últimos anos milhares de euros. Quando foi resgatado só tinha 40 euros na conta bancária e o desejo que expressou aos inspetores da PJ foi poder comer batatas fritas.
Também outro homem de 53 anos, que esteve em cativeiro 15 anos, foi resgatado durante a mesma operação. A PJ do Centro acredita que mais vítimas passaram por esta rede que tinha um esquema orquestrado entre os dois países.
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