Prometiam a imigrantes ilegais agilizar processos no SEF
Três homens, indianos, cobravam entre 1500 e 2000 euros a imigrantes ilegais asiáticos.
Os três homens, indianos, cobravam entre 1500 e 2000 euros, a imigrantes ilegais asiáticos, para lhes facilitar a entrada em Portugal. Em troca, prometiam agilizar os processos de legalização junto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Foram agora acusados pelo Ministério Público (MP) de Silves por auxílio à imigração ilegal, mas também por extorsão e ameaça e ofensa à integridade física qualificada tentada.
O esquema terá começado em 2015, refere o MP, adiantando que os três homens, com idades entre os 31 e os 51 anos, "exigiam aos ofendidos, também originários da Índia e de países vizinhos" as verbas. Além da promessa de facilitar o processo de legalização, o grupo assegurava ainda aos imigrantes ilegais que lhes arranjaria "emprego e um lugar para residirem", acrescenta o MP. Quando os alvos não aceitavam a proposta, "nalgumas ocasiões, alguns dos arguidos exigiram o pagamento dessas quantias através de ameaças dirigidas às vítimas ou às suas famílias", diz ainda a acusação do MP.
O trio acabou por ser detido no âmbito de um inquérito dirigido pela secção de Silves do Departamento de Investigação e Ação Penal de Faro, com apoio do próprio SEF.
O CM contactou o SEF para obter outros esclarecimentos sobre o caso mas não foi avançada mais informação "por a investigação ainda se encontrara decorrer".
Além da dedução da acusação para julgamento, o MP pediu, também, que a um dos homens seja aplicada a sanção acessória de expulsão de Portugal.
PORMENORES
Rede fraudulenta
Em junho do ano passado, a PJ deteve 12 pessoas, seis das quais funcionários da Segurança Social, por alegadamente fornecerem números fraudulentos daquele serviço a mais de mil imigrantes.Acesso à Europa
Muitos destes imigrantes não pretendem ficar em Portugal, apenas pretendem legalizar-se para ter acesso a outros países da União Europeia que façam parte do espaço Schengen.
Agricultura
Entre os que ficam em território nacional, um grande número vai trabalhar para a agricultura. Em 2015 o SEF encontrou 16 ilegais em propriedades agrícolas na zona de Odemira.
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