PSP ilibado de matar pai de Paulo Gonzo
Ministério Público responsabiliza Virgílio Paulo por atropelamento que lhe tirou a vida.
O Ministério Público decidiu arquivar o inquérito ao atropelamento mortal do pai de Paulo Gonzo, na tarde de 22 de janeiro de 2013, na zona de Benfica, em Lisboa. Virgílio Jesus Paulo, de 82 anos, atravessava a estrada quando foi colhido por um carro-patrulha da PSP que seguia em marcha de urgência com três detidos no interior.
Segundo o despacho de arquivamento proferido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, o acidente fatal aconteceu porque a vítima atravessou a faixa de rodagem "sem previamente se certificar de que o podia fazer sem perigo de acidente", razão pela qual o Ministério Público decidiu arquivar os autos e não imputou ao condutor do carro-patrulha um crime de homicídio por negligência, pelo qual o polícia estava indiciado.
O documento sustenta que o agente da PSP conduzia um veículo policial na Estrada de Benfica quando, após passar por si, em sentido contrário, um autocarro da Carris, a vítima surgiu-lhe "repentina e inopinadamente" por detrás desse autocarro e no eixo da via. O despacho de arquivamento conclui que "foi a omissão dos deveres gerais de cuidado" por parte do idoso a causa do atropelamento, sublinhando que "não é exigível a um condutor que preveja, em cada momento, o surgimento inopinado de obstáculos, que é decorrente da imprudência de terceiros".
Para o procurador do Ministério Público não existem indícios suficientes que provem que o arguido (agente da PSP) "tenha violado um qualquer dever objetivo de cuidado, ou que tenha feito uso indevido daquele princípio da confiança".
Virgílio Paulo, recorde-se, morreu logo no dia do acidente, já no hospital, em resultado dos ferimentos. Os dois agentes que seguiam no carro-patrulha ficaram afetados com a situação e tiveram de receber apoio psicológico.
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