QUEIXAS SEM MISERICÓRDIA
A funcionária da Santa Casa da Misericórdia de Leiria alegadamente vítima de assédio sexual aguarda as conclusões do auto de averiguações interno para decidir se vai avançar com uma queixa para Tribunal.
"Enquanto estiverem a ser ouvidas testemunhas no âmbito do auto de averiguações interno não se tomam quaisquer medidas, porque isso não faria sentido", disse um familiar da vítima, que "não presta declarações" para "não se expor".
O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Leiria, Fernando Lopes, disse ao CM que a queixa por assédio sexual foi apresentada na reunião de 29 de Abril da Mesa Administrativa pelo visado, o mesário José Paixão, vice-provedor da instituição.
Fernando Lopes adiantou que foi decidido abrir um auto de averiguações, que deverá estar concluído no final da primeira semana de Julho. Caso as acusações sejam consideradas verdadeiras, o vice-provedor será exonerado do cargo, mas até lá vai continuar a exercer as suas funções.
"As pessoas são inocentes até prova em contrário. Se vier a ser considerado culpado terá de sair. Mas até que isso suceda continua a trabalhar connosco da forma como o tem feito", disse Fernando Lopes.
O provedor negou a existência de "irregularidades" e de um 'saco azul' na instituição, como é referido numa denúncia enviada à Polícia Judiciária e à Segurança Social. "É mentira que haja um 'saco azul', no mínimo isso dá vontade de rir", frisou.
Os "atropelos laborais" e o "ambiente de perseguição e ameaças" constatados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública "não são" do conhecimento de Fernando Lopes, que desvaloriza essas questões, afirmando que "a insatisfação faz parte de qualquer instituição" e "problemas laborais há em todo o lado".
Fernando Lopes confirmou a demissão de dois mesários da Mesa Administrativa, Pedro Morais e Maria Fernanda, motivadas por diferentes razões, e entretanto substituídos por Asdrubal Teodósio e Irene Monteiro.
Sobre a demissão de Pedro Morais, inspector do Trabalho, o provedor disse que "foi uma pena sair. Mas entende a sua atitude, pois levou tanta pancada e incompreensão que não aguentou mais".
Maria Fernanda demitiu-se por razões de saúde, aconselhada pelo médico assistente, mas continua a colaborar como médica voluntária.
APROVADA AUDITORIA ÀS CONTAS
Na última reunião da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Leiria, realizada na quinta--feira, foi decidido fazer uma auditoria externa às contas da instituição.
"Foi decidido, por proposta minha, que se faça uma auditoria por alguém externo da instituição, talvez da Segurança Social, para acabar com este clima de suspeições", disse Fernando Lopes. "Para que se demonstre que 'quem não deve não teme' a decisão foi tomada por unanimidade", explicou o provedor.
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