Ratos mumificados nos tectos falsos da esquadra revoltam polícias
Foi colocado veneno para os animais morrerem, mas os cadáveres não vão ser removidos. Polícias usam máscaras.
A esquadra da PSP de Vila Nova de Gaia já foi alvo de uma ação de desinfestação de ratos, após notícia difundida pelo CM, no dia de Páscoa. Os roedores circulavam nos tectos falsos e nas condutas de ar condicionado e, na semana passada, uma empresa procedeu à colocação de veneno na estrutura do edifício. Porém, esta solução está a ser contestada pelos agentes que exercem funções naquela esquadra - e que consiste em deixar os ratos morrerem mumificados no interior do tecto falso, sem qualquer previsão de remoção dos cadáveres. Nesta ação apenas a sala de Escrituração e Apoio foi encerrada.
Enquanto os corpos dos ratos apodrecem, os agentes vão continuar a exercer as suas funções na esquadra. Alguns já terão mesmo recorrido a assistência médica, apresentando queixas, nomeadamente do foro respiratório - que associam à exposição prolongada às condições existentes na esquadra. "A solução implementada revela-se manifestamente mais gravosa que o problema inicial. A colocação de raticida sem um plano de remoção imediato dos animais levanta sérias questões de saúde pública, nomeadamente no que respeita ao destino dos roedores que, após a ingestão do veneno, poderão morrer em locais inacessíveis e entrar em decomposição", indica a ASPP-PSP (Associação Sindical dos Profissionais da Polícia) num ofício enviado ao Comando Metropolitano da PSP do Porto.
"A permanência de cadáveres no interior do edifício potencia riscos biológicos significativos, bem como a libertação de odores intensos, criando um cenário de insalubridade que poderá revelar-se mais prejudicial para o efetivo do que a própria presença dos animais vivos", lê-se ainda no ofício da ASPP-PSP.
Outros polícias, incapazes de suportar o ambiente no interior das instalações - onde ainda há cheiro intenso a urina e caem dejetos do tecto -, têm permanecido no exterior durante o serviço. Trabalham ainda com recurso a máscaras de proteção e alertam todos os cidadãos que se deslocam à esquadra, por exemplo, para apresentarem uma queixa, sobre os potenciais riscos.
"O sentimento é de crescente indignação e preocupação, considerando que a solução adotada não resolve o problema na sua origem e poderá agravar as condições sanitárias com a permanência de animais mortos na estrutura do edifício", foi descrito ao CM.
A esquadra funciona em instalações cedidas pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Os polícias defendem o encerramento temporário da esquadra para uma intervenção profunda.
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