Ricardo Araújo Pereira era um dos alvos dos neonazis do Movimento Armilar Lusitano

Humorista fazia parte da "lista dos indesejáveis" que incluía políticos e comentadores. Ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, terá sido alvo de vigilâncias.

18 de junho de 2026 às 17:13
Ricardo Araújo Pereira Foto: Ricardo Ruella
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O humorista Ricardo Araújo Pereira era um das dezenas de alvos do Movimento Armilar Lusitano (MAL), cujos membros foram, esta quinta-feira, acusados pelo Ministério Público por integrarem uma organização terrorista. Os nomes dos alvos foram compilados num documento designado por "lista dos indesejáveis".

Segundo a acusação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), os suspeitos "identificaram, catalogaram e/ou recolheram informações, algumas pessoais e não públicas" de várias personalidades políticas ou com relevância social. Além de Ricardo Araújo Pereira (que partilha o nome com um dos acusados), há referências aos nomes de Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Cavaco Silva, Marques Mendes, Luís Montenegro, Carlos Moedas, Rui Tavares, as irmãs Mortágua, Fabian Figueiredo, mas também a comentadores como Paulo Baldaia, Miguel Sousa Tavares, Maria Castelo Branco, Daniel Oliveira.

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O nome do atual ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, também consta da lista e de uma troca de mensagens, a qual indicia que o governante terá sido alvo de uma vigilância. Um dos suspeitos, Ricardo Almeida, chegou a partilhar com os restantes uma foto de Carlos Abreu Amorim, referindo que o politico costumava "comer neste restaurante", acrescentando ainda que o mesmo tinha sido "visto a uma quarta-feira" no espaço em questão.

O Ministério Público acusou nove elementos do grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano de 29 crimes, a maioria dos quais ligada ao terrorismo. Os neonazis são acusados de adesão a grupo terrorista, incitamento, recrutamento, detenção de arma proibida e tráfico de armas

Depois do caso FP-25, esta é a primeira acusação  a um grupo exclusivamente português. Além de quatro suspeitos em prisão preventiva, a acusação abrange ainda mais cinco pessoas.

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O MAL foi desmantelado pela Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, em junho do ano passado, com a detenção dos seus principais líderes, entre os quais um agente da PSP a prestar serviço na Polícia Municipal de Lisboa.

Após a análise de toda a prova recolhida nas buscas que decorreram aos mesmo tempo, os investigadores descobriram toda a arquitetura da organização, desde a liderança aos processos de recrutamento - os quais passavam por várias entrevistas e questionários aos candidatos -, assim como pela construção e experimentação das armas feitas em impressoras 3D. De acordo com informações recolhidas pelo NOW, a investigação chegou a recolher vídeos os elementos do MAL a experimentá-las.

O grupo detinha ainda centenas de explosivos, sobretudo granadas, e gerou algum pânico na investigação quando os seus membros conversaram ao telefone sobre um eventual ataque à Assembleia da República.

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Em junho de 2025, aquando das detenções dos principais suspeitos, a procuradora Cláudia Porto do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) defendeu que os membros do MAL agiram com o “objectivo conseguido de criar e fazer parte de um grupo que correspondesse a um movimento político nacionalista e de extrema-direita anti-imigração apoiado numa milícia armada com um arsenal próprio”.

E que preconizam o , “recurso à violência ideologicamente motivada como sendo necessária para atingir fins políticos, designadamente para enfrentar a imigração que entendiam ser descontrolada e uma ameaça contra Portugal e os Portugueses”.

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