Ritual a Yemanjá junta 50 na praia
Vestidas de branco, cerca de 50 pessoas ofereceram flores brancas a Yemanjá, a deusa do Mar e da Fecundidade, num ritual realizado ontem em plena luz do dia na praia de Alfarim, em Sesimbra. Uns motivados pela fé em algo superior e outros pela curiosidade, todos participaram num ritual onde o mundo dos espíritos e o mundo terreno se misturaram através de sons e cânticos hipnotizantes.
"Queremos demonstrar que a religião Umbanda não tem nada a ver com sacrifício de animais nem é nada de obscuro", explicou ao CM Pai Pedro de Ogum, momentos antes de iniciar a homenagem à Orixá Yemanjá, uma das figuras mais conhecidas dos cultos brasileiros.
Durante a cerimónia, as batidas ritmadas e os cânticos com sotaque a Brasil prepararam o terreno para quatro médiuns de passe, em transe, encarnassem os espíritos Caboclos, Pretos Velhos e Marinheiros. De charuto na boca, estas quatro pessoas serviram de intermediárias entre o mundo espiritual e o terreno, com os fiéis a pedirem ajuda na resolução de vários problemas.
"As pessoas que não conhecem pensam que tudo o que é Umbanda é mau, que é um culto negativo. É exactamente o contrário. O que me traz aqui é a fé em Deus, em tudo o que é bom e positivo", disse Carla Menadel, astróloga de 33 anos, que durante a sessão incorporou um espírito caboclo: "Não se explica o que se sente. É uma energia e uma paz muito grande. Sinto um formigueiro e arrepios pelo corpo".
No final do ritual a Yemanjá, os fiéis depositam os seus pedidos de ajuda num pequeno barco que é entregue ao mar, junto com as flores brancas. O Amaci, mergulho no mar, é um dos pontos altos da cerimónia.
MOVIDAS PELA CURIOSIDADE
Um grupo de quatro amigas deslocou-se à praia de Alfarim para matar a curiosidade sobre o ritual a Yemanjá. À distância, assistiram a tudo como quem pretende confirmar o que vem escrito nos livros. "Estamos curiosas com tudo isto. Uma coisa é ler e outra é estar presente", disse Ana, de 32 anos. Apesar da distância, duas resolveram participar. "A única palavra que a entidade [espírito] me disse foi medo", contou uma amiga de Ana.
BANHISTAS SURPREENDIDOS
Na praia de Alfarim, nem todos estavam preparados para o ritual da religião Umbanda. Apesar da surpresa, Ana Rita Ferreira, solicitadora em Lisboa, já conhecia Yemanjá: "Há uns anos houve uma telenovela brasileira onde se falava muito da deusa Yemanjá. Está relacionada com o mar". Hugo Li, por sua vez, mostrou-se um pouco incomodado: "Não acredito em nada disto. Aquela coisa dos chiliques faz-me alguma confusão".
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