Seis anos de terror em Lisboa: menina começou a ser abusada aos 10 anos pelo irmão mais velho

Polícia Judiciária deteve os três familiares da vítima, que tem agora 16 anos. Contou aos pais e estes nada fizeram.

14 de fevereiro de 2026 às 01:30
Vítima sofreu em silêncio Foto: uchar/iStockphoto
Partilhar

É um caso de que não há memória recente na Grande Lisboa, confessa fonte da Polícia Judiciária, que não esconde o choque com a situação. Um casal perfeitamente estruturado, com empregos, casa e vida financeira estáveis, permitiu que o filho mais velho abusasse sexualmente da filha quatro anos mais nova. Os crimes começaram em 2020, durante o confinamento por causa da pandemia da Covid-19, tinha a vítima 10 anos e o abusador 14, e os pais tiveram conhecimento dois anos depois. Mas, privilegiando a preservação de uma boa imagem pública da família, em detrimento do bem-estar da filha abusada, nada disseram, nem impediram o filho de continuar com os crimes.

Os abusos sexuais só cessaram em dezembro último, quase seis anos depois de terem tido início e após a vítima ter confidenciado o horror a uma colega de escola. Foi o estabelecimento de ensino quem foi diretamente à Polícia Judiciária de Lisboa denunciar o caso. Os inspetores investigaram e, na quinta-feira, detiveram os pais e o irmão da vítima. A menina tem agora 16 anos e já prestou declarações para memória futura, ficando protegida e evitando a revitimização. A PJ afirma ter recolhido provas dos crimes cometidos pelos pais e pelo irmão.

Pub

Segundo apurou o CM, não há qualquer indício de que os pais - ele empresário na área da construção - tenham abusado sexualmente, diretamente, da filha; ou que tenham presenciado os crimes cometidos pelo filho mais velho. Mas fizeram-no indiretamente: sabiam dos crimes porque, há quatro anos, lhes foram denunciados pela menina; e os pais até acreditaram na vítima. Mas "conformaram-se com a situação e não cumpriram com o seu dever legal de proteger a filha e impedir as agressões", afirma a PJ. Pelas aparências, sacrificaram a filha.

Indiciados de abuso sexual de crianças e de abuso sexual de menor dependente, crimes agravados pelo parentesco e circunstâncias, os três detidos foram ontem presentes a tribunal. O irmão, de 20 anos, ficou em prisão preventiva. Os pais saíram em liberdade sujeitos a apenas termo de identidade e residência.

O sofrimento em silêncio prolongou-se até aos 16 anos da vítima e teve consequências na saúde mental desta, afirma a PJ. A agora adolescente sobreviveu durante seis anos sem apoio. Agora, competirá às entidades competentes providenciarem apoio psicológico.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar