Setubalenses ainda sem casa

A solidariedade permitiu que as 48 famílias desalojadas do n.º 13 do Largo Afonso Paiva, em Setúbal, encontrassem um sítio para celebrar o Natal.

24 de dezembro de 2007 às 00:00
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O prédio sofreu a 22 de Novembro uma brutal explosão, em resultado de uma fuga de gás, que causou 40 feridos. Ainda não recuperados do medo de viverem o caos, para a maioria dos moradores a quadra é passada com angústia: não sabem quando irão regressar às suas casas, nem quanto terão de pagar para a reconstrução.

“A nossa maior preocupação é criar algum conforto para que os filhos consigam esquecer um pouco tudo aquilo”, disse Carlos Chaby, treinador dos juniores do Vitória de Setúbal. “A minha filha de sete anos não consegue entrar num elevador e tem pesadelos”, acrescentou o morador do 10.º C. “Saí com a roupa do corpo e até hoje não foi possível retirar os bens do prédio. A solução que encontrámos foi uns amigos emprestarem-nos uma casa.”

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A ceia de Natal de Patrícia e Vítor Dimas, o casal que vivia com o filho Martim no 10.º D, será passada no apartamento do pai de Patrícia, Abel, no Pinhal Novo, para onde o casal se mudou. “Vir para casa do meu pai foi a solução possível”, diz Patrícia, perante os custos mensais do empréstimo da casa destruída que são de 600 euros. “Isto acabou por ser um salve-se quem puder. Cada um de nós tem de recorrer aos familiares para encontrar casa e dinheiro para obras”, acrescentou.

Perante as incertezas do futuro, o casal tem a certeza de que não quer regressar ao prédio. “Não voltarei a viver lá. Foi um sonho que ficou desfeito”, disse a jovem de 32 anos. Na noite da explosão, Patrícia estava em casa com o filho de três anos. “Vi o prédio a abanar, agarrei no Martim e fugi”, disse. “Ela e o menino estavam cheios de sangue”, conta o avô do Martim, para quem “a maior felicidade foi estarem vivos”. “O menino sofreu ferimentos dos vidros na cara, onde recebeu seis pontos. Ainda hoje repete “avô, boom, mesa e candeeiro” quando se recorda que o candeeiro da sala caiu e teve o reflexo de se esconder debaixo da mesa.

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"APOIO EFICAZ" Alberto Santos, Trab. autárquico

“Foi-me encontrada uma casa camarária por não ter onde morar. Eu, a minha mulher e os dois filhos vamos tentar ter um Natal o melhor possível, mas não é fácil esquecer o que aconteceu. No fundo estamos – eu e os meus vizinhos – no mesmo barco, que é não podermos estar na nossa casa, apesar da ajuda da segurança social ter sido eficaz.”

"AMIGOS AJUDAM" Luís Caturra, Médico

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“A solução que encontrei foi recorrer a uma casa que me foi cedida por amigos. Sem casa, o Natal será diferente. Penso que a reconstrução deverá começar no próximo mês, concluída a retirada dos bens e que serão as seguradoras a pagar os maiores custos resultantes das obras nas partes comuns do prédio.”

"VENDA CONTINUA" Inês Fernandes, Florista

“Recomecei a trabalhar no contentor que me foi cedido pela câmara e os clientes regressaram, apesar da mudança. Tenho pena das pessoas que viviam no prédio por agora não virem comprar flores. Tiveram de ir morar para outros locais perante a destruição aqui instalada.”

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CASAL RECUPERA DO PESADELO

O casal Patrícia e Vítor Dimas vivem, com o filho Martim, na casa de Abel Carmona, pai de Patrícia, no Pinhal Novo, onde tentam esquecer a explosão.

ALUGUER CUSTA 400 EUROS

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Domingos Costa, cuja casa no 12.º C e recheio foram pelos ares com a explosão, teve de alugar uma casa à sua custa por 400 euros mensais.

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