“Sou prisioneiro”: moradores de bairro municipal em Lisboa não conseguem sair de casa por avarias no elevador
Elevador de prédio camarário avaria com bastante frequência.
Vítor Gonçalves, de 81 anos, não consegue sair de casa sozinho há cerca de um mês. O idoso, que habita no quarto andar de um edifício camarário, em Carnide, tem problemas no coração e mobilidade reduzida acima de 60%. “Levanto–me, perco os sentidos e caio. Depois, têm de me levar ao colo para o hospital, porque não tenho elevador. Não sou nenhum bebé e já sou pesadinho”, relata.
O único elevador do prédio avaria com bastante frequência. “Há cerca de ano e meio, estive um ano inteiro sem elevador. Eles [os técnicos da Gebalis, empresa municipal que gere os bairros] vinham e reparavam. Passados dias, já estava avariado e foi piorando até que acabou por parar mesmo”, conta o reformado.
A família contacta diariamente a empresa que gere o bairro municipal. “Por telefone não atendem, só por email e mesmo assim já deixaram de responder aos emails”, lamenta o filho com o mesmo nome. Garantem que a Gebalis conhece os problemas de saúde de Vítor Gonçalves.
É uma situação indigna e que revolta os moradores. “Estou em prisão domiciliária e não fui condenado por nenhum crime. A Gebalis por seu belo prazer está a fazer de mim prisioneiro. Além de me dizer: ‘deixem-no estar lá a apodrecer em casa'”.
Há outra família no prédio que também está na mesma situação. “O meu pai foi amputado às duas pernas e a minha mãe tem deficiência no andar”, relata Pedro Francisco. “Tenho de o tirar da cadeira de rodas e carregá-lo escada abaixo ou escada acima. Quando a minha mãe vier [do hospital] terá de ser da mesma maneira, mas ela é mais pesada. Vai ser difícil, visto que ela também vai usar cadeira de rodas. Foram feitas reclamações várias vezes. De dois em dois meses ficamos sem elevador e é uma situação bastante preocupante”, lamenta o morador do segundo andar.
Contactada pelo CM, a Gebalis prometeu dar uma resposta em breve.
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