Suspeita de chantagem sexual fica em silêncio no início do julgamento em Aveiro
Coletivo de juízes ouviu algumas das supostas vítimas que terão sido contactadas pela arguida através da rede social "Facebook" e com quem trocaram fotografias íntimas.
Uma mulher de 40 anos acusada de crimes relacionados com chantagens usando imagens íntimas ('sextortion') nas redes sociais remeteu-se esta quinta-feira ao silêncio no início do julgamento no Tribunal de Aveiro.
A arguida, que trabalha como auxiliar de ação direta num centro social em Aveiro, está acusada de três crimes de extorsão e um crime de branqueamento.
Durante o julgamento, o coletivo de juízes ouviu algumas das supostas vítimas que terão sido contactadas pela arguida através da rede social "Facebook" e com quem trocaram fotografias íntimas.
"Ela começou a enviar fotos despida do peito para baixo. Eu não liguei àquilo, mas ela tanto insistiu que mandei também fotografias, mas nunca mostrei a cara", disse um dos ofendidos.
A testemunha contou que após a troca de fotografias foi contactado por uma pessoa, através do "whatsapp", que se identificou como polícia a ameaçar que iam contar à sua mulher que ele andava a trocar fotografias com uma menor, e pediam 1.500 euros para depositar numa conta.
"Fiz a transferência, mas eles pediram mais 1.000 euros e eu, armado em totó, fui meter mais mil. Mas aí acabou-se", declarou.
A acusação do Ministério Público (MP) refere que a arguida contactava pessoas através da rede social "Facebook", usando perfis falsos com fotografias de raparigas que podiam ser consideradas menores de idade.
A suspeita manteria depois com as supostas vítimas conversações de conteúdo sexual, aliciando-as a enviarem-lhe fotografias de conteúdo íntimo que eram depois usadas para as chantagear.
Posteriormente, as vítimas eram contactadas por indivíduos cuja identidade não foi apurada, que as constrangiam a entregar quantias monetárias, sob pena de, não o fazendo, denunciarem o caso às autoridades policiais por manterem conversas e trocarem fotografias de conteúdo sexual com menores de idade.
De acordo com a investigação, entre agosto de 2022 e março de 2023 foram creditados na conta da arguida 461.523,45 euros, em montantes que variam entre os 1.500 euros e 20 mil euros, que a arguida transferiu para outras contas ou usou em proveito próprio.
O MP requereu que a arguida seja condenada a pagar ao Estado 463.292,52 euros, correspondendo ao valor da vantagem alegadamente obtida ilicitamente pela arguida.
A arguida está proibida de se ausentar do distrito de Aveiro.
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