Suspeito da 'Operação Hermes' goza com a PJ depois de libertado

Tem cadastro e é um velho conhecido da Polícia Judiciária. Preso e libertado pelo juiz continua como se nada se passasse. Suspeito de fraude, burlas e envolvimento no crime violento.

16 de outubro de 2026 às 01:30
Rui Dinis é um dos suspeitos da ‘Operação Hermes’. Foi detido e libertado Foto: DR
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Rui Dinis, um dos suspeitos da ‘Operação Hermes’ - detido e libertado por decisão do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa -, saiu em liberdade e publicou vários ‘posts’ a gozar com as autoridades. “Difícil não é viver, o problema é a PJ”, escreveu num deles, enquanto noutro momento publicou uma fotografia do Tio Patinhas dentro de um avião a atirar dinheiro para quem estava cá em baixo,

“Quando vi na CMTV que ele tinha ficado preso, até chorei. Depois vi que tinha sido libertado e começo a acreditar que o que ele diz é verdade. Que controla tudo e todos, que tem a justiça debaixo do seu poder”, diz ao CM ‘João’, nome fictício, uma das muitas vítimas de Rui Dinis que espera há anos que se faça justiça. “Vendeu-me um Porsche, paguei parte dele (mais de 50 mil euros) e quatro anos depois ainda não tenho o carro. Não fui o único, há mais, mas ninguém faz nada”, lamenta este empresário nortenho.

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Rui Dinis foi apanhado na operação do carrossel do IVA, mas tem muitas investigações pendentes. Há várias queixas de burla - até envolvendo a venda de casas que nunca foram construídas - e há também suspeitas de envolvimento no crime violento. No caso do IVA foi apanhado no chamado processo mais pequeno (que ditou cinco detenções), mas foi libertado, com a obrigação de se apresentar semanalmente no posto policial mais perto da sua casa.Tem uma vida de luxo, mas ficou sem pelo menos dois carros de luxo que tinha na garagem, em Braga, e que valem mais de meio milhão de euros. Nada está em nome dele.

E TAMBÉM

PJ do Porto -  Duas operações

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A ‘Operação Admiral’ e a ‘Operação Hermes’ foram levadas a cabo pela Polícia Judiciária do Porto. Na primeira estava em causa uma fraude ao Estado de mais de 200 milhões, agora foi já detetado um rombo de 150 milhões. A PJ do Porto, liderada por Pedro Machado, foi responsável por ambos os processos.

Vende casas

Noutro processo,Rui Dinis é acusado de burlar mais de 40 compradores de apartamentos. Vende casas que ainda não existem e um dos terrenos nem é dele.

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Stand de carros

Está a ser investigado no âmbito do crime violento. Tinha também um stand de carros de luxo que fechou e gere uma loja de móveis em Braga. Aí, houve buscas da Polícia Judiciária que o levaram preso.

Escutas tramam empresários que desviavam milhões em IVA

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Entre risos, Miguel Ribeiro, gerente da Castro Electrónica - um dos alvos da ‘Operação Hermes’ e agora em prisão preventiva -, contava a um amigo: “Meteu o dinheiro num envelope, num, num guardanapo, sabes? Meteu assim em cima da mesa e disse: guarda isso. E eu peguei, meti ao bolsinho.”

O dinheiro era lucro da venda de telemóveis no esquema de carrossel do IVAque levou a Judiciária do Porto a prender os principais comerciantes do Norte do distrito de Aveiro. Muitos deles estavam concertados: porque tinham medo da polícia já não pediam a devolução do IVA, tentavam apenas faturar para não pagar o imposto ao Estado. “Eu tenho quase 800 mil euros de faturação e já tenho vinte e tal pedidos de reembolso, não vou arriscar fazer mais”, diz noutra conversa Jorge Torres, da Plenitudeangular.

O esquema é transversal aos 40 detidos no nosso país - outros 23 foram presos em Espanha e Itália.

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