Temperatura do mar afeta apanha do polvo

2017 foi o pior dos últimos três anos no total de capturas e a situação pouco melhorou.

31 de dezembro de 2018 às 08:51
Este ano, e até setembro, foram registadas capturas de 975 toneladas de polvo em todas as lotas da região Foto: Luís Costa
pescas, barcos Foto: Sérgio Lemos
barcos, pesca Foto: Nuno Fernandes Veiga

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As altas temperaturas do mar que se fizeram sentir durante o verão de 2017 levaram a que o número de capturas de polvo, nesse ano, fosse o mais reduzido dos últimos três anos - uma vez que a água mais quente limita a população de marisco, um dos principais alimentos do polvo. Este ano a situação pouco melhorou e os pescadores defendem uma paragem biológica de cerca de dois meses para haver uma recuperação da espécie.

Em 2017, em todas as lotas algarvias, apanhou-se um total de 1,5 mil toneladas de polvo. Um número significativamente mais baixo do que as 1,9 mil toneladas de 2015 e as 2 mil toneladas de 2016, fazendo o preço da espécie disparar para os 7,42 euros/kg, contra a média de 5,40 euros nos dois anos anteriores. A principal causa para a redução foi mesmo a falta de alimento do polvo, que limitou o crescimento dos animais. O peso mínimo para serem apanhados é de 750 gramas.

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"Houve temperaturas de 27 graus no mar, o que leva a que haja menos oxigénio na água e, eventualmente, mate o marisco. A temperatura ideal é abaixo dos 20 graus", explica José Agostinho, da Armalgarve, associação de pescadores de polvo de Quarteira.

Este ano, segundo a Direcção--Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, entre janeiro a setembro, foram apanhadas 975 toneladas de polvo na região. "Está a ser um ano razoável, mas queremos uma paragem biológica, algo que não acontece há muitos anos. A espécie precisa de recuperar. Temos falado com o Governo, mas não há dinheiro para apoiar esta paragem", diz José Agostinho.

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