Torturadores deixam advogado à porta de construtor civil

Cruz Martins foi deixado gravemente ferido à porta do construtor civil José Guilherme.

12 de março de 2014 às 19:04
Francisco Cruz Martins, advogado, tortura, Cascais, Polícia Judiciária, Banif, prejuízo, Angola, José Guilherme, Foto: Reuters
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O advogado Francisco Cruz Martins, que esteve envolvido no processo de compra de ações do Banif de que resultou um prejuízo de 150 milhões de euros para o Estado angolano, foi sequestrado na zona de Cascais e acabou barbaramente torturado por desconhecidos - que depois o deixaram à porta de José Guilherme, maior construtor civil da Amadora.

Cruz Martins foi esfaqueado nas pernas, mutilado numa mão com um martelo, pontapeado, e teve de ser operado aos intestinos. Esta é a segunda vez que o advogado é vítima de agressões.

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A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Contra Terrorismo, está a investigar o caso, que ocorreu há três semanas. Os agressores fizeram ainda várias ameaças de morte aos filhos e netos de Cruz Martins.

Tudo aponta para que a agressão esteja relacionada com dinheiro que foi confiado ao advogado por vários empresários, a quem prometeu investimentos com retorno elevado e garantido. O facto de ter sido deixado à porta de José Guilherme, com vários interesses em Angola, está também a ser investigado.

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Desde o caso Banif que Cruz Martins está proibido de entrar em Angola. O advogado, que é titular de várias sociedades offshore, tem interesses imobiliários no Algarve (Vale de Lobo) e estava a dar os primeiros passos no negócio dos parques de estacionamento subterrâneos em Lisboa. Depois desta agressão, ter se-á refugiado em Espanha.

Esta é a segunda vez que o advogado Cruz Martins é vítima de agressões relacionadas com negócios que não terão corrido bem. Quanto a José Guilherme, fez fortuna na construção civil na década de 80, na Amadora, tendo depois alargado o seu império para Oeiras, onde fez vários negócios com o então presidente da câmara local, Isaltino Morais.

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