Tribunal de Évora adia leitura do acórdão de dupla julgada por assaltos a bancos
Adiamento deve-se à necessidade de efetuar notificações sobre questões relacionadas com a indemnização à vítima dos assaltos.
O Tribunal de Évora adiou esta segunda-feira para o dia 28 a leitura do acórdão do julgamento dos dois homens, de 43 e 44 anos, acusados de roubos e sequestros em agências bancárias de várias localidades do país.
Na sessão de esta segunda-feira, para a qual estava prevista a leitura do acórdão, o presidente do coletivo de juízes que está a julgar o caso informou sobre o adiamento e indicou que a decisão sobre o processo será conhecida às 13h30 do dia 28 deste mês.
O magistrado explicou que este adiamento se deve à necessidade de efetuar notificações sobre questões relacionadas com a indemnização à vítima a quem foram roubados, durante um dos assaltos, 790 euros que pretendia depositar.
Os dois arguidos, ambos de nacionalidade brasileira, estão acusados da prática de roubos a bancos, com recurso a réplicas de armas de fogo e mantendo os clientes sob sequestro, o que lhes permitiu apropriarem-se de mais de meio milhão de euros.
No início do julgamento, no dia 25 de fevereiro deste ano, os dois homens confessaram a autoria dos crimes, tendo o Ministério Público (MP) e as partes prescindido da produção de prova.
De acordo com a acusação, à qual a Lusa teve acesso, o arguido mais velho, reincidente, está acusado de cinco crimes de roubo, nove de sequestro, 32 de falsificação de documento, além de uma contraordenação por detenção ilegal de arma.
Já em coautoria, os dois arguidos, ambos em prisão preventiva desde que foram detidos em abril de 2025, estão acusados de dois crimes de roubo, um de sequestro e outro de branqueamento de capitais, pode ainda ler-se.
Segundo o MP, entre julho de 2023 e setembro de 2024, o arguido mais velho é suspeito de ter assaltado dependências bancárias em Vendas Novas e Alcáçovas, no distrito de Évora, onde também terá presumivelmente roubado uma cliente que ia depositar dinheiro, e em Águas de Moura, no de Setúbal.
No Brasil, este homem terá proposto colaboração ao outro arguido e, juntos, utilizando os mesmos métodos, terão assaltado agências bancárias em Castro Verde, no distrito de Beja, Estoi, no de Faro, e Lourinhã, no de Lisboa, realça o MP.
O despacho de acusação detalha os valores roubados em cada um dos seus assaltos, nas caixas, no cofre principal, nas gavetas cacifos das máquinas multibanco e a uma cliente, num total que ascende a cerca de 548 mil euros.
De acordo com o MP, os arguidos enviavam o dinheiro obtido nos roubos para o Brasil, através de agências de câmbio e transferência, utilizando, em alguns casos, pessoas que conheciam e outras que encontravam na rua, a troco de 50 euros.
O homem mais velho já foi condenado em Portugal pelo mesmo tipo de crimes, a uma pena única em cúmulo jurídico de 19 anos e 11 meses de prisão, por acórdão transitado em julgado em 30 de setembro de 2020.
O arguido foi entregue, a seu pedido, às autoridades brasileiras em 31 de março de 2022 para continuar a cumprir a pena naquele país, mas, um ano e três meses depois, estava de volta a Portugal, com identidade falsa, para dar início a uma nova vaga de assaltos, lê-se ainda no despacho de acusação.
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