Utentes contestam falta de médicos em Centro de Saúde de Miranda do Corvo
População diz que contratação de duas especialistas é insuficiente para necessidades.
A garantia da Administração Regional de Saúde do Centro de contratar, a partir de janeiro, duas médicas aposentadas para reforçar o serviço no Centro de Saúde de Miranda do Corvo não foi suficiente para desmobilizar os utentes de uma vigília à porta da unidade.
"Não é suficiente. Cada uma das médicas irá fazer um horário de 18 horas semanais. Isto quer dizer que as duas vêm suprir a falta de um médico. Mas neste momento faltam três", sublinha Márcia Simões, do movimento que organizou o protesto que reuniu cerca de uma centena de utentes e contou com a presença do presidente da autarquia, António Baptista.
José Taborda, deputado municipal, lembra que 3500 utentes vão manter-se sem médico de família, mesmo com a chegada das duas clínicas.
"A acessibilidade da população aos cuidados de saúde está a reduzir", lamenta, ao recordar que inicialmente o centro "funcionava 24 horas". Em 2006 foi encerrado o serviço de atendimento permanente. "Posteriormente passou a encerrar às 22h00, depois começou a fechar às 20h00 e desde 11 de novembro que encerra às 17h45".
A ARS Centro garante que a contratação das médicas permitirá retomar o horário de funcionamento até às 20h00, além de estar prevista a colocação de mais um médico.
"Duas médicas não resolvem o problema", reclama Assunção Caetano, cansada do tempo de espera para uma consulta.
Márcia Simões diz que não é apenas a falta de médicos que preocupa a população, mas também de enfermeiros: "Há 5 mil utentes sem acesso a médico de família e enfermeiro."
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