Vendedor enganava mulheres
Júlia (nome fictício), residente em Almancil, Loulé, nem queria acreditar no que lhe dizia, ao telefone, a ‘Drª Patrícia’, do Hospital de Faro. A falsa médica, que era Carlos Alberto Ferreira, 48 anos, comerciante na Vila das Aves, com a voz disfarçada, alegou que lhe tinha sido detectado um cancro no útero, após a observação de um exame ginecológico que a vítima confirmou que tinha feito pouco tempo antes. Júlia é uma das 58 vítimas de Carlos Ferreira, que será julgado pelo Tribunal da Guarda por 190 crimes, incluindo importunação sexual e abuso sexual de duas meninas, cometidos entre 2008 e 2010.<br/><br/>
Para satisfazer os impulsos sexuais, o arguido ligava ao acaso para mulheres de todo o País, mudava a voz e intitulava-se como médica de Oncologia. Depois de saber pormenores da vida privada das vítimas, simulou consultas de telemedicina para examinar apalpações de seios e órgãos genitais, enquanto se masturbava. Algumas, em pânico, aceitaram fazer os ‘exames’ pedidos por ele. Segundo a acusação do Ministério Público, o homem aproveitava--se do medo das mulheres e não alterava o tom "ríspido e autoritário". Não dava espaço a perguntas. Aliás, ficava "furioso" quando as vítimas se negavam a cumprir as ordens.
Júlia filmou o corpo numa videochamada, inclusive na casa de banho, onde projectou o jacto do chuveiro na vagina. Quando o marido chegou, a falsa médica convenceu-os a filmarem relações sexuais e, ao fazer crer que a doença era hereditária, recolheu imagens do corpo nu da filha de 8 anos do casal. O mesmo conseguiu fazer a outra mulher, que também foi induzida a fotografar a filha, de 11 anos.
O comerciante começa a ser julgado em Outubro.
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