Vida de garanhão do sexo

Cerca de 11 por cento dos profissionais do sexo na região Norte do País são homens, requisitados maioritariamente por outros homens, mas também por mulheres. Dirceu Costa, de 22 anos, o ‘Puto Lindo’, e Marcos António, de 25, o ‘Garanhão do Sexo’, vivem com os seus namorados, mas, garantem ao CM, vendem serviços sexuais a mulheres de classe média ou média alta e nunca as deixam ficar mal.

13 de novembro de 2005 às 00:00
Vida de garanhão do sexo Foto: Jordi Burch
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Musculado, com 1,80 de altura, Marcos é mais solicitado por senhoras de meia-idade, casais e mulheres sadomasoquistas. Tem clientela fixa todos os dias da semana. Nem precisa de anunciar-se nos jornais e na internet. Diz que as clientes, depois de algumas das suas carícias, ficam de tal maneira enlouquecidas que nem se lembram de pedir o preservativo. Mas ele não dispensa. “Nada paga a saúde.”

Marcos – tal como Dirceu, um ‘nome artístico’, escolhido para preservar a identidade dos rapazes – diz que “a maioria das relações tem pouca exigência”. O serviço rotineiro – carícias, penetração, orgasmo(s) da mulher – durante uma hora custa 60 euros. Por cada 15 minutos extra, a cliente paga mais 25. Magoar ou ser magoado só a troco de 300 euros. Despesas de táxi, para transporte ao local combinado, são pagas à parte. O sexo ocorre, segundo contam, em hotéis, residenciais, locais de trabalho das mulheres ou na residência do gigolô. Nenhum dos dois foi alguma vez chamado à casa da cliente.

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Quem paga os serviços são mulheres entre 25 e 60 anos, “carentes”, grande parte casadas e as mais novas insatisfeitas com relações anteriores. Em alguns casos é o marido a chamar o ‘garoto de programa’ – Marcos e Dirceu são brasileiros –, porque já não tem erecção e a esposa precisa de sexo.

OUTRA REALIDADE

Psicóloga da Liga Portuguesa para a Profilaxia Social, Andreia Ribeiro lida com um tipo de prostituição masculina diferente, mas predominante: a dos homens, travestis e transexuais que vendem o corpo a outros homens, preferidos às mulheres. Fazem-no, tal como Marcos e Dirceu, para ganhar dinheiro, que amealham na esperança de poderem financiar uma operação de mudança de sexo.

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José Pacheco, Soc. Port. Sexologia Clínica: “Maioria dos prostitutos também

é solicitada por homens”

Correio da Manhã – Pode um homem que ama outro ser um ‘garanhão’ com as mulheres?

José Pacheco – Não é a regra, mas acontece. Na prostituição feminina também há dissociação entre a relação afectiva e a relação comercial.

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– Quer dizer que os homens também representam o prazer que não sentem?

– Sim, os homens podem fingir que ejaculam. E é possível que a ejaculação ocorra separada do orgasmo. O homem pode ejacular e nada sentir.

– A ejaculação é apenas uma questão de concentração?

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– Nesta circunstância, as relações com as mulheres são comerciais e o prazer é reservado aos companheiros. Mas, embora não conheça os casos em apreço, os homens que prestam serviços a mulheres também são solicitados por outros homens. Destacam os desempenhos sexuais com mulheres, mas acabam por admitir que são solicitados por homens.

– O corpo do homem pode tornar-se uma máquina sexual, como alegam os gigolôs?

– A maior parte tem período refractário a seguir ao sexo, mas outros têm erecções facilmente. Já encontrei alguns capazes de passar o dia inteiro a manter relações sexuais. Só não o faziam porque as companheiras recusavam. Mas claro que o desempenho também faz parte do discurso de alguém que quer valorizar o que pretende comercializar.

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– Com recurso a químicos para aumentar a potência?

– Depende das pessoas. Também há prostitutos que para se excitarem vêem filmes pornográficos.

MARCOS ANTÓNIO, 'GARANHÃO DO SEXO', AVEIRO

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Era mau para a minha saúde, porque por vezes me sentia fraco. Mentalizei-me que a relação era apenas uma transacção comercial – ela dava-me dinheiro e eu retribuía com o prazer. sobre o tempo em que tinha “vários orgasmos por dia”

Muitas vezes finjo que tenho prazer, utilizando o esquema de esconder o preservativo com papel para ela não ver que está sem esperma. Quando pagam para me ‘ejacular ao vivo’, faço um esforço, mas consigo sempre. É uma questão de concentração. sobre orgasmos fingidos

A mulher tem 60 anos, conservada. O marido mais dez, cansado do trabalho. É sempre ele que chama. Assiste, feliz, a ver que a esposa ainda é fogosa. sobre um casal de ‘clientes de Coimbra’

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O que há a discordar é pelo telefone e muitas vezes a relação não avança. No quarto não existe lugar à discussão. Só carinho e sexo à vontade da mulher. sobre as ‘negociações’

Quer ser saciada, pedindo todas as posições e mudança de preservativo para cada situação. sobre outra ‘cliente’, de ‘trato fino e requintado’

DIRCEU COSTA, 'OUTO LINDO', PORTO

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Temos de usar preservativo, mas grande parte delas parece estar a leste. Após algumas carícias, querem é ser fornicadas de todas as maneiras. sobre quem exige as precauções

A maioria das relações é simples. Não querem sexo oral, nem fazê-lo. sobre preliminares

Uma pequena percentagem pede sadomasoquismo: amarradas, agredidas, queimadas com velas quentes na pele. O preço aumenta, porque é doloroso bater e queimar mulheres lindas. Mas elas pagam para isso. sobre taras

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Por não ter sexo constante com um homem, quando tem quer que seja profundo e variado. Se não me tivesse dito que era lésbica, eu não teria acreditado, tal a fogosidade que a relação atingiu. sobre um ‘serviço especial’

Nunca precisei de tomar qualquer medicação para ter uma erecção forte. Sexo com mulheres é dinheiro, sou capaz de estar horas com elas que se não quiser não ejaculo. sobre capacidades de desempenho

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