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EXPLOSÃO EM PALCO

Uma falha no sistema de efeitos cénicos da banda de música TV5 provocou uma explosão anteontem de madrugada, na freguesia da Moita, em Anadia. Vinte e seis pessoas ficaram feridas, cinco delas em estado grave. No rol das vítimas encontra-se, para além das várias pessoas que estavam no recinto da festa, alguns membros do grupo musical.

25 de julho de 2004 às 00:00

“Os TV5 estavam em palco há 15 minutos quando nos apercebemos de uma explosão. Nos primeiros segundos ainda pensámos que fosse um efeito, mas quando vimos as pessoas a gritar, apercebemo-nos logo que algo não estava a correr bem”, contou ao CM Jorge Marques, um dos responsáveis da comissão das festas de São Tiago, onde actuava a banda.

Segundo a explicação da GNR, tudo aconteceu quando a banda tentou accionar um determinado efeito de palco. “A pequena bomba devia rebentar para o ar, mas seguiu no sentido oposto e implodiu para baixo, onde estava mais material explosivo”, referiu fonte policial.

Contam as testemunhas que após a explosão, o palco ruiu e tanto os elementos da banda, como pessoas que estavam mais próximas foram projectadas alguns metros. Quem estava mais afastado também acabou ferido, já que algum material incandescente voou com o impulso da explosão.

“A parte esquerda do palco estava toda a arder. Os instrumentos deles ficaram todos queimados e as pessoas que estavam mais perto do palco também apanharam com os estilhaços”, descreveu Paulo Costa, uma das testemunhas do cenário de horror.

A maior parte das pessoas que assistia ao concerto ficou com ferimentos ligeiros e recebeu tratamento médico no Hospital de Anadia, do qual teve alta algumas horas depois.

Catorze dos feridos tiveram que ser assistidos nos Hospitais da Universidade de Coimbra por apresentarem queimaduras e perfurações graves. A alguns já foi dada alta, mas cinco indivíduos mantêm-se em “estado moderadamente grave”, com queimaduras de segundo grau em cerca de 30 por cento do corpo.

Bruno Ferreira, outro dos responsáveis pela organização da festa, confessa que a tragédia podia ter sido maior, uma vez que “dentro do recinto já estavam cerca de 550 pessoas, mas nas bilheteiras encontravam-se mais algumas centenas, prontas para entrar”.

Por enquanto ainda são desconhecidos os motivos que terão provocado a falha no sistema de pirotecnia, que desencadeou a explosão. A investigação está ao cargo da Polícia Judiciária de Coimbra que, ao que apurámos, já esteve no local, onde recolheu algumas provas, que poderão indicar se se tratou de acidente ou erro humano.

GUITARRISTAS QUEIMADOS

Os dois guitarristas da banda continuam em estado crítico, com queimaduras no corpo. Também duas gémeas, Raquel e Iolanda, de 17 anos, tiveram que ser operadas no Hospital da Universidade de Coimbra, uma ao maxilar e a outra ao abdómen, que foi perfurado por um bocado de madeira. André Duarte, de 14 anos, também se feriu com uma chapa metálica.

Há quem especule os motivos da falha na pirotecnia. Testemunhas questionam-se se o grupo tinha licença para usar material explosivo e se quem o manuseava estaria habilitado. O CM tentou falar com o empresário do grupo musical, para recolher mais informações, mas este recusou-se a dar esclarecimentos.

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