Um choque frontal entre uma carrinha e um camião, ocorrido anteontem ao final da tarde no IC2, junto a S. João da Madeira, matou quatro homens e feriu gravemente um quinto. Tinham todos grau de parentesco entre si e o acidente provocou uma onda de dor e consternação na freguesia de Olo, Amarante, de onde todos eram naturais.
Artur Teixeira Gonçalves, empresário de construção civil para quem as vítimas trabalhavam - e que perdeu na tragédia um irmão, um sobrinho, dois primos e viu um amigo do peito ficar gravemente ferido -, explicou ao CM que estava a falar ao telemóvel com um dos ocupantes da viatura quando se deu o embate.
"Estava a falar com o Filipe Gonçalves, que seguia no banco de trás da carrinha, quando a certa altura ouço gritos e um estrondo enorme. O telemóvel ficou ligado mas nunca mais consegui falar com ele. Nessa altura pensei logo que tinha acontecido algo de muito grave. Não sei o que eles vinham a fazer, se traziam velocidade a mais ou se aconteceu alguma anomalia. Só passado algum tempo fui informado da dimensão da tragédia", explicou o patrão.
A equipa de cinco operários deslocava-se de Oliveira de Azeméis, onde trabalhavam há algumas semanas, para Amarante, viagem que faziam todos os dias nos dois sentidos. "Eles queriam vir dormir a casa, mesmo que para isso tivessem de se levantar mais cedo e chegar a casa mais tarde", disse Artur Gonçalves.
As vítimas são: Joaquim Teixeira Gonçalves, 39 anos, casado, de Olo, deixa viúva e quatro filhos menores de 14, 12, 11 e dois anos e, por ser irmão do patrão, era o encarregado da equipa de trabalhadores; Mário Rui Teixeira Nogueira, 31 anos, casado, residente em Fridão, deixa viúva, e uma filha de dois anos; Filipe Manuel Gonçalves, 25 anos, solteiro, de Vila Chã; Nelson Filipe Teixeira Macedo, 20 anos, solteiro, residente em Amarante.
Do acidente resultaram ainda ferimentos graves em Joaquim Paulo Nogueira, 29 anos, solteiro, residente em Amarante, que depois de assistido no Hospital de S. Sebastião, na Vila da Feira, foi mais tarde evacuado para o Santo António em estado que inspirava "muitos cuidados".
O acidente ocorreu no IC2, ao quilómetro 173, em S. João da Madeira, quando a carrinha de caixa aberta com dupla cabina realizou várias ultrapassagens incluindo, segundo testemunhos, alguns duplos traços contínuos, até chocar de frente com um camião de mercadorias que seguia no sentido contrário e ainda tentou evitar o choque.
MAIS UMA VÍTIMA NO IP4
Um choque frontal entre dois ligeiros, em Padronelo, Amarante, provocou um morto e três feridos muito graves, entre os quais uma menina de três anos.
O embate ocorreu às 11h50, ao quilómetro 63 do IP4, numa zona de grande sinistralidade, resultando na morte de Nuno Daniel Rodrigues, da Amadora, que conduzia um Clio, de cor preta. António Joaquim Roxo, 43 anos, condutor de um Rover, teve de ser desencarcerado pelos bombeiros e a sua mulher, Sofia Graça Santos, 45 anos, ambos de Vilar do Andorinho, Vila Nova de Gaia, foram assistidos no local e evacuados para Amarante em estado muito grave.
No Rover viajava ainda uma menina de três anos, Clara Jacinta Mesquita (supostamente neta do casal), que foi evacuada para o Hospital de Santo António, no Porto, com ferimentos muito graves.
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